Incêndio atinge o 'Ninho da Águia' de Hitler, na Baviera; polícia investiga crime
Fogo começou depois das 21h de sexta no alto da montanha Kehlstein; ninguém se feriu e um motociclista foi detido.

Resumo
- Incêndio de grandes proporções atinge na sexta (23) o 'Ninho da Águia', na Baviera.
- Ninguém estava no prédio; a polícia detectou um motociclista na estrada isolada de acesso e o deteve.
- As autoridades investigam suspeita de incêndio criminoso.
Chamas de grande porte tomaram, na noite desta sexta-feira (23), a Kehlsteinhaus, a construção de pedra no alto da montanha Kehlstein, no sul da Alemanha, conhecida no mundo todo como “Ninho da Águia”. O prédio fazia parte do antigo retiro alpino de Adolf Hitler e hoje é um dos pontos turísticos mais visitados da região, perto da fronteira com a Áustria.
De acordo com as autoridades, imagens de uma câmera mostram que as chamas surgiram pouco depois das 21h. O local fica a 1.834 metros de altitude, no estado da Baviera, e só é alcançado por uma estrada longa e sinuosa. Os bombeiros chegaram às 21h52 e encontraram um fogo de grandes proporções. Não há registro de feridos: ninguém estava dentro do edifício quando o incêndio começou.
Motociclista detido
A polícia suspeita que o fogo tenha sido provocado. Um motociclista foi visto na estrada isolada que leva à construção, trafegando no sentido contrário, e acabou detido. O caso segue sob investigação.
O que era a Kehlsteinhaus
A construção foi concluída em 1938, na mesma área do Berghof, a residência de verão de Hitler. Foi idealizada por Martin Bormann, braço direito do ditador no partido nazista, como um “retiro dentro do retiro”, onde seria possível receber convidados diplomáticos e integrantes do círculo mais próximo do líder.
Apesar da fama, Hitler preferia o Berghof, que ficava algumas centenas de metros abaixo, na montanha Obersalzberg. Ele visitou a Kehlsteinhaus apenas 14 vezes entre 1938 e 1945.
O acesso é feito por uma estrada de 6,5 quilômetros, com 800 metros de desnível. Na parte final, os visitantes podiam escolher entre uma trilha lateral e um elevador dourado, escavado na rocha, que vence os últimos 124 metros.
Da guerra ao turismo
O prédio foi poupado pelos bombardeios aliados e capturado por tropas dos Aliados em maio de 1945. Até hoje se discute se foram soldados franceses ou americanos que chegaram primeiro. Depois da captura, militares arrancaram pedaços da lareira de mármore, um presente do ditador italiano Benito Mussolini, e os levaram como souvenir, até que o comando aliado proibiu a prática.
O Berghof teve as ruínas totalmente demolidas depois da guerra, mas a Kehlsteinhaus permaneceu de pé. Entre 1945 e 1952, serviu como centro de comando das tropas aliadas. Em seguida, foi aberta ao público e virou atração turística, com centenas de milhares de visitantes por ano, atraídos pela importância histórica e pela paisagem dos Alpes.
Atualmente, o prédio é de uma fundação beneficente e tem um restaurante, com salão interno e espaço externo para refeições e bebidas.
O que vem agora
A polícia alemã apura a origem do fogo e a possibilidade de crime. As autoridades não relataram feridos.
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