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Eleição em Israel

Netanyahu chama Trump de 'melhor amigo' em ligação filmada a uma semana da eleição

Em telefonema divulgado, premiê agradece apoio do americano; Israel vai às urnas em 27 de outubro, sem favorito claro.

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Benjamin Netanyahu, de terno escuro e gravata azul, e Donald Trump, de gravata vermelha, sentados lado a lado em poltronas douradas no Salão Oval
Foto de arquivo: Benjamin Netanyahu e Donald Trump no Salão OvalFoto: Casa Branca

O premiê israelense Benjamin Netanyahu e o presidente americano Donald Trump trocaram elogios em público numa conversa por telefone que veio a público nesta segunda-feira (19). A ligação foi filmada e transmitida em viva-voz, a oito dias da eleição parlamentar israelense, marcada para 27 de outubro. Trump disse esperar uma vitória “tremenda” do aliado.

“O melhor amigo que Israel já teve”

Na conversa, Netanyahu retribuiu o gesto com palavras fortes. Chamou Trump de “líder incrível do mundo livre” e afirmou: “[Você é] o melhor amigo que Israel já teve e terá na Casa Branca. E toda a nossa civilização se sente encorajada pela sua coragem. Donald, temos uma missão a cumprir. Você disse isso, e vamos cumpri-la juntos”. Trump, por sua vez, tratou o israelense como um “grande guerreiro”.

O premiê agradeceu o apoio manifestado pelo americano na véspera. No domingo (18), Trump publicou na rede Truth Social que Netanyahu é “forte, corajoso e brilhante diante de uma oposição tremenda” e, ao mesmo tempo, um “guerreiro e parceiro pela paz”. O americano ainda exaltou a parceria dos dois governos no conflito com o Irã.

A guerra com o Irã no pano de fundo

Esse conflito começou em fevereiro, com um ataque combinado de americanos e israelenses em que morreu o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Já dura sete meses e desarrumou os mercados globais de energia, além de causar estragos em diferentes pontos do Oriente Médio, com danos a estruturas críticas e a economias da região. Também nesta segunda, Netanyahu disse que Israel continua apto a atingir seus adversários quando quiser.

Uma eleição que funciona como referendo

As urnas de 27 de outubro serão as primeiras no país depois da ofensiva do Hamas de 7 de outubro de 2023, que sacudiu Israel e deu início à guerra em Gaza. Israel combateu ainda o Hezbollah, no Líbano, e travou o confronto com o Irã. O pleito funciona como um plebiscito sobre a liderança de Netanyahu, que completa 77 anos neste mês e é o premiê que mais tempo ficou no cargo na história do país: desde a primeira eleição dele, em 1996, soma mais de 18 anos no poder, em diferentes mandatos.

Ele comanda o governo mais à direita já formado em Israel e tenta um novo mandato num cenário incerto. As pesquisas indicam que nem a coalizão dele, liderada pelo Likud, nem o bloco de oposição devem chegar às 61 cadeiras necessárias para a maioria no Parlamento. Nesse quadro, as legendas árabes podem ser decisivas na montagem do próximo governo. No sistema israelense, o chefe de governo sai de acordos entre partidos no Parlamento, não de uma eleição direta.

O apoio de Trump ajuda?

Não há certeza de que o aval do americano renda votos. O apoio da opinião pública israelense a Trump diminuiu em meio a divergências entre os dois governos sobre a questão do Irã. Ou seja, o gesto pode reforçar o prestígio de Netanyahu junto a eleitores alinhados a Washington, mas o efeito sobre o resultado é incerto.

Para o leitor brasileiro, a eleição importa porque o resultado define o rumo do governo israelense numa região em guerra e a relação do país com os Estados Unidos. A contagem dos votos e as negociações para formar uma coalizão devem se estender nas semanas seguintes à votação.

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