Trump pede que o Novo México mude de nome para "Nova América"
Em post na Truth Social, presidente diz que "não somos o México"; Constituição não lhe dá poder para renomear um estado.

Donald Trump propôs, nesta segunda-feira (19), que o Novo México troque de nome e vire “Nova América”. A ideia apareceu num post na Truth Social, rede do próprio presidente americano, publicado minutos antes de ele sair da Casa Branca para um comício no Kansas, em plena campanha das eleições de meio de mandato, as midterms.
“O Novo México deveria mudar imediatamente seu nome para Nova América. Nós não somos o México, nós somos os Estados Unidos da América!”, escreveu Trump.
O argumento de Trump
O presidente afirmou, sem apresentar prova alguma, que “o valor dos imóveis e a renda aumentariam” se o estado trocasse de nome. Na mesma mensagem, repetiu alegações infundadas sobre fraude eleitoral e disse: “Talvez até as ‘Eleições Corruptas’, pelas quais o Novo México é conhecido, voltem a ser honestas!”.
O Novo México tem tendência democrata. Em 2024, Trump perdeu ali por uma margem de seis pontos percentuais. A ideia de renomear o estado não é nova: em setembro, o presidente já havia publicado um mapa em que a palavra “México” aparecia riscada e “América” escrita logo abaixo, imagem que foi repostada pela conta da Casa Branca no X. Desta vez, o tom foi mais enfático.
Ele pode mudar o nome de um estado?
Não. O presidente pode mandar mudar o nome oficial de acidentes geográficos, como rios e lagos, mas a Constituição não lhe dá poder para rebatizar um estado; isso teria de partir do próprio estado. O nome, aliás, é do século XVI e veio antes da existência dos Estados Unidos, de acordo com um levantamento do Departamento de Assuntos Indígenas sobre a origem dos nomes estaduais.
Uma série de renomeações
A proposta é mais uma na lista de rebatizados que Trump busca no segundo mandato. Em agosto, uma ordem executiva dele passou a chamar o Lago Ontário de “Lago América”, dentro da guerra comercial com o Canadá. Antes disso, ele havia proposto “Golfo da América” no lugar de Golfo do México. Em diversas ocasiões, também sugeriu renomear o Estreito de Ormuz como “Estreito de Trump”.
O pano de fundo: as midterms
O comentário sobre o Novo México aparece em um momento de preocupação dos republicanos com a manutenção das maiorias no Congresso, em novembro. Nas sondagens, parte dos eleitores avalia que o presidente dá pouca atenção às questões mais urgentes dos americanos. Em outra frente, a pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda aponta que a aprovação de Trump caiu a 31%, o menor nível já registrado, e que os democratas abriram 12 pontos de vantagem na disputa legislativa.
Nas eleições de 3 de novembro, os americanos renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, hoje sob controle republicano. Quem vencer em uma ou nas duas Casas ganha força para barrar projetos do presidente.
O que muda na prática
Nada muda no mapa: o nome do estado segue sendo Novo México, e qualquer mudança dependeria de um processo dentro do próprio estado. A publicação reforça, porém, a agenda de Trump na reta final da campanha das midterms, em que ele volta a questionar a lisura das eleições em um estado que perdeu em 2024.
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