Louvre fecha neste sábado e França mobiliza 70 mil policiais para novos protestos
Museu atende recomendação da prefeitura de polícia de Paris; ministro do Interior promete "extrema firmeza" contra saques e vandalismo.

Resumo
- O Louvre e o Museu Delacroix não abrem no sábado (24), por recomendação da prefeitura de polícia de Paris.
- O ministro Laurent Nuñez anunciou 70 mil policiais e agentes da Força Nacional, com helicópteros e drones.
- É a segunda vez na semana que o Louvre fecha: na segunda (19), estudantes bloquearam a entrada.
Quem pretendia visitar o Louvre neste sábado (24) vai encontrar as portas trancadas. O museu parisiense avisou que não abrirá, em caráter excepcional, seguindo uma recomendação da prefeitura de polícia da cidade, que teme novos distúrbios nas ruas da França. O Museu Eugène-Delacroix, na capital, também ficará fechado. Os visitantes com ingresso comprado devem consultar o site do Louvre para saber como pedir o dinheiro de volta.
O aviso saiu nesta sexta-feira (23), nas redes sociais do museu, com um pedido de desculpas pelo incômodo. Foi o segundo fechamento em poucos dias.
Esquema de segurança reforçado
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, detalhou o plano para o sábado: 70 mil agentes, entre policiais e membros da Força Nacional, serão destacados para acompanhar as manifestações marcadas em várias cidades. Haverá reforço por terra e pelo ar, com unidades especiais, helicópteros e drones.
O tom do ministro foi duro. “Olhem as redes sociais: há apelos da esquerda para atacar prédios públicos. Não estamos falando de um protesto pacífico”, afirmou. Em seguida, avisou que o governo está “preparado para agir com extrema firmeza” e que não pretende tolerar saques nem depredações.
Atos restritos aos sindicatos
O clima político esquentou ainda mais na quinta-feira (22), quando o presidente Emmanuel Macron anunciou que vetará todo ato de rua que não seja convocado por centrais sindicais. Ele alegou que a França Insubmissa, partido de esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon, planejaria uma insurreição contra o governo. As marchas dos sindicatos seguem liberadas, mas por trajetos escolhidos pelas autoridades.
O segundo fechamento da semana
Na segunda-feira (19), o Louvre já havia ficado sem público. Dessa vez o motivo foi uma paralisação de estudantes: alunos da Escola do Louvre barraram a entrada para impedir que turistas entrassem, apenas alguns dias depois de os protestos terem lotado as ruas de Paris. Os estudantes entregaram folhetos aos visitantes, pedindo que eles entendessem suas demandas.
De onde vem a revolta
O movimento nasceu do descontentamento com o aumento do custo de vida e com o plano do governo de cortar despesas. No sábado (17), chegou ao ponto mais alto, com 500 mil pessoas nas ruas. A polícia prendeu mais de 2 mil manifestantes. Houve ao menos dois mortos e feridos em estado grave, incluindo dois manifestantes que ficaram sem as mãos.
A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e enfrentou grupos de encapuzados, vestidos de preto, que puseram fogo em estruturas e entraram à força em comércios e prédios públicos. Fotos e vídeos exibiram construções históricas queimando. Políticos e autoridades fazem questão de lembrar que a imensa maioria dos participantes foi pacífica, mas a violência, a maior em anos no país, chocou a população e gerou críticas contundentes.
Próximos passos
O toque de recolher em Paris foi mantido e pode ser estendido. O sábado será um teste para a estratégia do governo, que associa a ultraesquerda aos episódios mais violentos, e para a reação das forças de segurança. Para turistas e moradores, o Louvre de portas fechadas é o sinal mais visível de como a crise alterou a rotina da cidade.
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