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Trump chama candidato democrata em Michigan de 'jihadista doentio e violento'

Presidente ataca Abdul El-Sayed, que nega ligação com a Irmandade Muçulmana, a duas semanas das eleições de meio de mandato.

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Abdul El-Sayed, de terno azul e gravata listrada, fala ao microfone diante de uma placa com seu nome em audiência
Foto de arquivo: Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, em audiência no Senado dos EUAFoto: Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado dos EUA

Resumo

  • Trump chamou o democrata Abdul El-Sayed, candidato ao Senado por Michigan, de "jihadista doentio".
  • El-Sayed nega qualquer ligação com a Irmandade Muçulmana, tratada como terrorista pelos EUA.
  • A disputa com o republicano Mike Rogers é uma das mais apertadas das eleições de meio de mandato.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, partiu para o ataque pessoal contra Abdul El-Sayed, candidato do Partido Democrata a uma vaga no Senado por Michigan. Em declaração à imprensa na Casa Branca, nesta sexta-feira (23), ele usou a expressão “jihadista doentio e violento”. A votação das midterms está a duas semanas.

O republicano foi além e disse que El-Sayed faz parte da Irmandade Muçulmana e que o adversário esconde o nome do meio, Mohammed. O candidato nega o vínculo com o grupo, tratado como terrorista pelo Departamento de Estado dos EUA.

“Ele é um farsantezinho, e tudo nele é falso. É um mentiroso. Fala de todas essas coisas como se fosse moderado, mas não é. Ele é um jihadista. Um jihadista doentio e violento, e não tem lugar no nosso governo”, disse Trump.

Corrida sem favorito definido

O democrata disputa a cadeira com Mike Rogers, ex-deputado federal pelo Partido Republicano. A imprensa americana trata a briga como uma das mais equilibradas do país nestas midterms. Analistas independentes não apontam um vencedor, e a média de pesquisas calculada pelo RealClearPolling dá a El-Sayed 2,6 pontos de vantagem.

Filho de imigrantes do Egito, ele seria o primeiro muçulmano a chegar ao Senado americano caso vença.

De onde vem a acusação

Republicanos repetem há semanas que El-Sayed teria ligação com a Irmandade Muçulmana. Rogers recorreu a publicações antigas da meia-irmã do democrata, em que ela afirma que a mãe dele teve participação na entidade nos anos 1970. El-Sayed responde que nem foi criado pela mãe: os pais se separaram quando ele tinha 3 anos e ele cresceu com o pai e a madrasta.

Debate e resposta

Num debate na TV ao longo desta semana, Rogers perguntou ao rival: “Se você pretende se candidatar ao Senado dos Estados Unidos, precisamos saber: você está a favor da América ou está a favor desses grupos terroristas no exterior?”.

O democrata chamou a pergunta de vergonhosa. “É algo bastante indigno de você, Mike. Tenho orgulho da América. Tenho orgulho de ser americano. Tenho orgulho da nossa Constituição, que garante a todos nós o direito de orar como quisermos”, rebateu.

Já na entrevista a um programa da NBC News, no começo de outubro, ele havia dito que os republicanos alimentam a islamofobia quando repetem seu nome completo e martelam a suposta ligação com o terrorismo. “A única estratégia de Rogers é apontar para mim, para o meu nome e para a minha fé, e dizer que somos diferentes”, afirmou. “Ele não tem ideias. Ele não se importa de verdade em resolver problemas. Ele se importa com o poder.”

Leitura dos estrategistas

Especialistas e estrategistas políticos consultados pela Reuters entendem que a estratégia republicana mira o eleitorado judeu e o negro dos arredores de Detroit. Esses grupos apoiaram Haley Stevens, a rival de El-Sayed nas primárias democratas, e a ideia seria afastá-los da candidatura dele.

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