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EUA acusam dois ex-agentes do FBI de mentir ao Congresso sobre o laptop de Hunter Biden

Nikki Floris e Bradley Benavides respondem em liberdade; juiz chamou a denúncia de incomum e lembrou o histórico de ambos.

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Fachada do edifício J. Edgar Hoover, sede do FBI, em Washington, sob céu azul
Foto de arquivo: Sede do FBI, o edifício J. Edgar Hoover, em WashingtonFoto: ajay_suresh/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Resumo

  • Dois ex-funcionários do FBI foram acusados de prestar declarações falsas ao Congresso em 2023.
  • O caso envolve o laptop de Hunter Biden e o papel de uma força-tarefa do FBI na eleição de 2020.
  • Os dois continuam em liberdade; o juiz chamou a acusação de incomum, e o diretor do FBI defendeu o processo.

Dois ex-funcionários do FBI foram acusados nos Estados Unidos de mentir ao Congresso numa apuração sobre o computador de Hunter Biden, um dos filhos do ex-presidente Joe Biden. Nikki Floris e Bradley Benavides, que atuavam como analistas de inteligência na capital americana, responderão pelo crime de declarações falsas. A acusação se tornou pública nesta sexta-feira (23), no tribunal federal do Distrito de Columbia, onde os dois compareceram pela primeira vez.

Segundo a denúncia, os dois deram informações falsas ao Comitê Judiciário da Câmara em 2023, quando deputados republicanos quiseram saber se uma força-tarefa do FBI criada para investigar interferência estrangeira nas eleições havia atuado no caso de Hunter Biden. A peça sustenta que eles esconderam a participação do grupo e as comunicações ligadas às investigações, atrapalhando a apuração parlamentar. O magistrado Zia Faruqui observou na audiência que as acusações dizem respeito ao “laptop de Hunter Biden e às alegações que o cercam”.

O que diz a acusação

As acusações foram anunciadas em rede social pela procuradora federal em Washington, Jeanine Pirro, que ligou as supostas falsidades às funções dos dois na Força-Tarefa de Influência Estrangeira (FITF) durante a eleição de 2020. “Quando agentes de alto escalão do FBI mentem ao Congresso, acreditando estarem acima da lei, é hora de toda a força da justiça recair sobre eles”, escreveu.

De acordo com Pirro e com a denúncia, Benavides disse aos parlamentares que só ficou sabendo da investigação sobre o laptop pela Wikipédia.

O diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que o processo nasceu de uma apuração sobre a própria FITF, unidade que já foi desmontada. Ele disse que Floris comandou o grupo como vice-diretora de meados de 2019 a meados de 2022, e que Benavides foi chefe de seção de meados de 2019 até a eleição de 2020. “Ambos testemunharam que a FITF não estava envolvida nas investigações sobre Hunter Biden. No entanto, evidências documentais, comunicações da época e depoimentos contradizem suas declarações”, escreveu Patel.

Ele acrescentou que existem registros de Floris, em conversas privadas, dizendo administrar um “governo paralelo”. E concluiu: “O fato de altos funcionários do FBI mentirem ao Congresso mina o próprio fundamento do nosso sistema. Ninguém está acima da lei”.

As ressalvas do juiz

Faruqui fez questão de apontar que a denúncia é “incomum”: ela foi apresentada diretamente pelo Ministério Público, sem passar pela aprovação de um júri popular. O magistrado lembrou que os dois ex-agentes têm “histórico impecável” e que o “contexto alegado ocorreu anos atrás”. Também disse aos promotores que devem estar prontos para levar o caso adiante, já que “apresentaram esta grave acusação contra dois agentes condecorados”.

Para ele, as acusações são “claras e diretas” e, a partir de agora, vão “assombrar pelo resto de suas vidas” os dois, que agora são réus em corte federal. Floris e Benavides seguem em liberdade até o julgamento. Uma nova audiência foi marcada para terça-feira (27), pela manhã.

O pano de fundo político

Há tempos, republicanos reprovam o modo como o FBI conduziu no começo o caso de Hunter Biden. A crítica se mistura a velhas teorias de corrupção sobre a família Biden e à narrativa, na direita, de um suposto “governo paralelo” na administração federal.

Patel também lembrou que, no seu mandato à frente do bureau, a equipe conhecida como CR-15 foi desfeita. Ele é alvo de críticas constantes pelas demissões, porque agentes perderam seus empregos por causa de trabalhos feitos em apurações anteriores sobre Donald Trump.

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