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El Niño forte pode cortar 10% da safra de soja de 2026/27, estima Serasa

Estudo calcula 163,6 milhões de toneladas contra 181,2 milhões em clima neutro; R$ 33 bilhões em produção ficariam em risco.

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Fileiras de plantas jovens de soja de folhas verdes crescendo em solo vermelho-escuro
Plantas de soja em fase inicial de desenvolvimento, em fileiras na lavoura — Imagem ilustrativaFoto: mari_lazaro/Pixabay

Resumo

  • A Serasa Experian calcula que um El Niño forte reduziria a soja brasileira de 2026/27 em 17,6 milhões de toneladas.
  • A produção iria de 181,2 para 163,6 milhões de toneladas, e R$ 33 bilhões em valor bruto ficariam em risco.
  • O próprio estudo avisa que é um cenário de risco, não uma previsão de perda; Mato Grosso e Goiás concentrariam as quedas.

Se o El Niño voltar com força na temporada 2026/27, a safra brasileira de soja poderia encolher cerca de 9,7%, o equivalente a 17,6 milhões de toneladas. É o que mostra um estudo da Serasa Experian apresentado nesta terça-feira (27), em coletiva de imprensa, pelo gerente de Geoprocessamento Agro da empresa, Daniel de Oliveira.

Pelas contas do levantamento, o país colheria 163,6 milhões de toneladas se o fenômeno vier forte, e 181,2 milhões se o clima ficar neutro. Em dinheiro, a diferença equivale a aproximadamente R$ 33 bilhões em valor bruto da produção.

Um cenário de risco, não uma previsão

A própria Serasa faz questão de separar as coisas. Segundo Oliveira, o estudo não é uma previsão de safra nem a confirmação de perdas: o objetivo é medir o que estaria em jogo caso o clima de anos anteriores de El Niño voltasse a se repetir. Para a empresa, os dados indicam que o fenômeno tende a voltar em 2026/27 com intensidade elevada, algo que vai na mesma linha do alerta da Organização Meteorológica Mundial, que o Fato em Dia mostrou na semana passada.

A análise cobre apenas a primeira safra de soja e põe lado a lado dois cenários de rendimento por hectare, tomando como base colheitas recentes para não distorcer o resultado com o nível de tecnologia de anos mais antigos.

Como a conta foi feita

  • Área plantada: 49,9 milhões de hectares, quase 1 milhão a mais que na safra anterior (alta de 1,8%).
  • Rendimento com clima neutro: 3.622 kg por hectare (60 sacas).
  • Rendimento com El Niño forte: 3.282 kg por hectare (55 sacas), queda de 340 kg.
  • Referência histórica: a safra 2023/24, de El Niño muito forte, teve produtividade de 3.282 quilos por hectare, segundo a Conab, 9% abaixo da de 2024/25, que foi um ano neutro.

A conta de dinheiro segue a mesma lógica. Dividindo o valor bruto da produção de soja por um volume de referência de cerca de 181,5 milhões de toneladas, a Serasa chegou a um preço médio perto de R$ 1,88 mil por tonelada. Multiplicado pelas 17,6 milhões de toneladas de diferença, o resultado é o R$ 33 bilhões do título.

Onde a perda seria maior

As quedas se concentrariam no Centro-Oeste. Mato Grosso deixaria de colher 9,7 milhões de toneladas se o fenômeno for intenso, e Goiás, mais 4 milhões. Treze estados teriam quebra de produtividade, segundo a projeção. O Rio Grande do Sul seguiria o caminho contrário: o estado poderia colher 5,5 milhões de toneladas a mais.

O estudo sai com o plantio em andamento. Cerca de 40% da área já foi semeada, e o risco climático agora migra para o desenvolvimento das lavouras: as chuvas de novembro e dezembro serão decisivas para a produtividade. No Sul, aliás, o excesso de chuva tem atrapalhado o trabalho no campo.

O que isso significa em comparação com as projeções oficiais

A primeira estimativa da Conab para 2026/27, divulgada em 15 de outubro, prevê 181,6 milhões de toneladas de soja, alta de 0,7%, com área 1,4% maior. O número da Serasa para um clima neutro (181,2 milhões) é praticamente o mesmo, o que ajuda a ler o estudo: a lacuna de 17,6 milhões é a distância entre o cenário-base e a hipótese de El Niño forte, e não uma revisão da estimativa oficial.

A Serasa lembra ainda que uma oferta menor de grãos pode mexer nos preços da soja e nas condições de comercialização, o que altera o resultado econômico para produtores e para os demais elos da cadeia. Por isso, o valor de R$ 33 bilhões é descrito como um exercício de dimensionamento, e não como prejuízo efetivo.

O que se sabe e o que falta saber

  • Sabe-se: a Serasa estima que um El Niño forte tiraria 17,6 milhões de toneladas da soja de 2026/27, e que as perdas se concentrariam em Mato Grosso e Goiás.
  • Falta saber: se o fenômeno será mesmo forte e como vão se comportar as chuvas de novembro e dezembro; a Conab atualiza a estimativa da safra ao longo da temporada.

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