Pular para o conteúdo

Inadimplência de empresas bate recorde e chega a 9,3 milhões de CNPJs

Levantamento da Serasa Experian aponta alta de 14,3% em um ano; micro e pequenas empresas somam 8,8 milhões das devedoras.

WhatsApp Facebook X Telegram
Fachada branca de prédio com o logotipo da Serasa Experian, com painéis de vidro e gramado em primeiro plano, sob céu azul
Foto de arquivo: Sede da Serasa Experian em São Carlos (SP)Foto: Leticia Ikeda (CC BY-SA 4.0)

Resumo

  • O país tinha 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto, recorde da série mensal da Serasa Experian.
  • São 68,2 milhões de dívidas negativadas, que somam R$ 244,4 bilhões.
  • Para a economista-chefe da Serasa, os juros altos explicam a sequência de recordes.

Nunca houve tantas empresas devendo no Brasil: em agosto de 2026, foram 9,3 milhões de CNPJs com contas negativadas, o pior número da série mensal da Serasa Experian. Em relação a agosto de 2025, a alta é de 14,3%, segundo levantamento divulgado pela empresa na terça-feira (20).

Quanto devem as empresas

Ao todo, esses CNPJs respondem por 68,2 milhões de dívidas negativadas, num valor conjunto de R$ 244,4 bilhões. Cada empresa devedora carrega, na média, 7,4 contas em atraso, e o saldo médio por CNPJ é de R$ 26.355,13. Cada débito, individualmente, vale em média R$ 3.583,96.

Quem mais sofre: micro e pequenas empresas

As micro e pequenas empresas concentram a maior parte do problema: são 8,8 milhões de CNPJs inadimplentes, com 61,4 milhões de dívidas que somam R$ 211 bilhões. Nesse grupo, cada empresa deve em média R$ 23.902,98, distribuídos em 7 contas negativadas de R$ 3.435,34 cada.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o desafio desses negócios vai além do preço do crédito. “São negócios que possuem menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de menor crescimento. […] Por isso, a gestão financeira e o planejamento ganham ainda mais importância neste momento”, disse.

Onde estão as devedoras

O Sudeste concentra o maior número de empresas negativadas. São Paulo lidera, com 3.173.156 companhias, seguido por Minas Gerais (927.374) e Rio de Janeiro (879.915). Paraná (613.012) e Rio Grande do Sul (539.319) completam os cinco estados com maior volume.

“São negócios que possuem menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de menor crescimento”

Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian

Por setor, os Serviços respondem por 56% das empresas inadimplentes. O Comércio é o segundo, com 32%; depois vêm a Indústria (8%) e o setor Primário (0,9%). Outros segmentos somam 3,1% do total.

Quem são os credores

Quando o assunto é quem cobra, empresas de Serviços ficam com o maior pedaço dos registros, 31,7%. Bancos e cartões aparecem em segundo, com 19,7%, e as cooperativas, em terceiro, com 8,5%. Empresas de utilidades, como energia e água, respondem por 6,7% dos registros, e a telefonia, por 6,2%.

A economista observa que mais de três quartos dos registros estão ligados a setores não financeiros. Ela ressalva que o dado mostra a distribuição das pendências entre tipos de credor, e não o peso de cada setor no valor total devido.

Juros e capital de giro

Na avaliação de Abdelmalack, a sequência de recordes tem relação, principalmente, com o patamar elevado dos juros. A taxa Selic saiu de 15% ao ano no começo de 2026, passou a 14% em agosto e hoje está em 13,75%, mas os cortes ainda não foram suficientes para mudar a dinâmica financeira das empresas, segundo ela.

Mesmo com o crédito caro, a procura por empréstimos subiu 11,2% em 12 meses. Já a liberação de dinheiro para capital de giro de curto prazo mais que dobrou (+113,9%) no período, o que indica que as empresas têm recorrido a esse tipo de recurso para manter a liquidez. “Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, afirmou a economista.

Ela conclui que, em um ambiente de menor dinamismo econômico, administrar vários compromissos e preservar o fluxo de caixa fica ainda mais difícil, principalmente para quem já acumula pendências com diferentes credores.

InadimplênciaSerasa ExperianMicro e pequenas empresasJuros

Siga o Fato em Dia YouTube Instagram TikTok

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Mais sobre o assunto

Últimas de Economia

Ver tudo