Bolsa para 30 minutos e dólar chega a R$ 5,60 após reeleição de Lula
Circuit breaker barra o Ibovespa às 10h03; juros futuros disparam e o Tesouro cancela leilões de terça e quinta.

Resumo
- O Ibovespa teve as negociações suspensas por 30 minutos às 10h03, pelo circuit breaker.
- O dólar abriu a R$ 5,4247 e chegou a R$ 5,6047; a Ptax de sexta (23) foi R$ 5,0377.
- O Tesouro cancelou os leilões de títulos prefixados e de inflação de terça (27) e quinta (29).
A bolsa brasileira parou por 30 minutos na manhã desta segunda-feira (26), logo no primeiro pregão depois da reeleição do presidente Lula (PT). Às 10h03, a queda do Ibovespa passou de 10% sobre o fechamento anterior e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações para frear uma derrocada. No mercado de câmbio, o dólar abriu a R$ 5,4247, com alta de 8,64%, e logo depois bateu a máxima de R$ 5,6047, alta de 12,25%. Os números são do início do pregão e mudam a cada minuto.
O que aconteceu nas primeiras horas
Antes da abertura da bolsa, os contratos futuros já mostravam o tamanho do movimento. Por volta das 9h, o Ibovespa futuro caía 14,84%, a 177.215 pontos, e as negociações foram interrompidas em seguida. Na mínima, o contrato chegou perto de 20% de queda. A B3 havia ampliado, só para esta segunda-feira, os limites de oscilação diária: o piso do Ibovespa futuro passou de 10% para 20% e o teto do dólar futuro, de 6% para 12%.
No exterior, o ETF EWZ, que reúne ações brasileiras e é negociado em Nova York, caía 26,04% no pré-mercado, a US$ 31,30, às 5h34 no horário de Brasília.
Pelas regras da B3, a queda de 10% do Ibovespa suspende o pregão por 30 minutos. Se, na volta, o índice cair 15% sobre o fechamento anterior, há nova parada, de uma hora. Com 20% de queda, a bolsa pode suspender os negócios por prazo indeterminado. A retomada estava prevista para as 10h30.
Juros futuros e leilões do Tesouro
Os juros futuros, que mostram o que o mercado espera para a taxa básica nos próximos anos, também saltaram. Às 9h23, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2031 chegou a 14,460%, contra 12,641% no ajuste de sexta-feira, uma alta de 182 pontos-base. Esse era o limite superior que a B3 havia fixado; a bolsa divulgou uma nova lista, com teto de 15,25% para esse vencimento.
O Tesouro Nacional anunciou o cancelamento dos leilões de títulos prefixados e de títulos indexados à inflação marcados para terça (27) e quinta-feira (29). Foi mantido o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), papéis pós-fixados que seguem a Selic, na terça. Em comunicado, o órgão disse que continuará monitorando as condições de mercado.
Quando o mercado exige taxas mais altas, emitir dívida fica mais caro para o governo. Cancelar a oferta, nesse caso, evita fechar a venda de papéis prefixados e ligados à inflação a esses preços.
Quanto o dólar a R$ 5,60 pesa no bolso
A conta usa a Ptax do Banco Central, taxa média do dia: na sexta-feira (23), ela foi de R$ 5,0377 para venda. Quem compra US$ 1.000 para uma viagem ou um curso pagaria, a esse preço, R$ 5.037,70. Com o dólar à vista a R$ 5,6047, o mesmo valor sai por R$ 5.604,70, ou R$ 567 a mais. A diferença é de cerca de 11% sobre a Ptax. O dólar do comércio e das casas de câmbio tem spread e IOF por cima da cotação, então o preço final para o consumidor é maior.
O que o mercado esperava e o que dizem os analistas
A reação foi tratada como surpresa. O economista Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, afirmou que os 13 levantamentos eleitorais que ele analisou apontavam Flávio Bolsonaro (PL) à frente, com vantagem média de 2,4 pontos percentuais. Segundo ele, o mercado reprecifica ao mesmo tempo o risco fiscal, ligado ao déficit e à dívida pública, e o risco institucional, diante das contestações ao resultado.
O analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, prevê “uma semana de maior cautela, com o Ibovespa pressionado, dólar em alta e juros futuros subindo”. Já o BTG Pactual traçou um cenário em que o Ibovespa vai à faixa dos 170 mil pontos e o real perde de 10% a 15% do valor, queda de cerca de 30% da bolsa em dólares. O JP Morgan reduziu a recomendação para o real e para títulos brasileiros.
O Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta manhã reúne projeções coletadas até sexta-feira e, por isso, ainda não incorporou a reação à eleição. Ele trazia dólar a R$ 5,05 no fim de 2026, Selic projetada em 13,25% ao ano, inflação (IPCA) de 5,19% e crescimento do PIB de 1,80%.
O que ainda falta saber
O desempenho da bolsa depois da retomada, o fechamento do dólar e a Ptax do dia, calculada pelo Banco Central ao longo do dia, mostrarão se o movimento da manhã se mantém. Na quarta-feira (28), o mercado espera ainda a decisão de juros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O que o governo sinalizar sobre as contas públicas nos próximos dias deve pesar nos preços, segundo os analistas ouvidos.
A reeleição e o resultado completo estão na matéria sobre o resultado oficial, e a reação dos mercados no exterior na noite de domingo está na cobertura da véspera.
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