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Agronegócio

México suspende compra de frango do Brasil após foco de Newcastle em SC

Veto mexicano vale para carne, ovos férteis e aves vivas; governo vai monitorar 133 granjas em quatro cidades catarinenses.

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André de Paula, de terno escuro e gravata rosa, fala ao microfone diante de um painel com imagem de floresta
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, em entrevista coletiva sobre o foco de Newcastle, na sede do ministério, em BrasíliaFoto: Carolina Antunes/Mapa

O México fechou as portas para a carne de frango e outros produtos avícolas do Brasil. A decisão, anunciada na segunda-feira (19) pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader) e pelo serviço sanitário mexicano (Senasica), responde ao foco de doença de Newcastle confirmado numa criação de perus do município catarinense de Nova Itaberaba.

A barreira alcança carne de aves, miúdos, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves vivas vendidas como ornamentais, canoras ou de rapina. Também ficam proibidos os produtos de origem avícola levados por turistas na bagagem. Para isso, o Senasica suspendeu as folhas de requisitos sanitários que permitiam a entrada desses itens.

Sem prazo para acabar

O governo mexicano justificou a medida como forma de proteger o próprio plantel, já que o país se considera livre da doença. A retomada das compras depende da análise do caso e das informações que o Brasil enviar sobre as ações de contenção. Não há data para revisão.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que já está comunicando oficialmente o foco a todos os parceiros comerciais e que eventuais restrições seguirão os protocolos sanitários acertados com cada mercado. A pasta disse que vai manter conversas com as autoridades estrangeiras para atualizar as informações à medida que o trabalho avançar.

133 granjas sob vigilância

No campo, a granja de Nova Itaberaba, com cerca de 6 mil perus de corte, foi interditada e terá as aves eliminadas, seguida de limpeza e desinfecção. Segundo o ministério, as aves não saíram da propriedade e não foram para o abate destinado ao consumo.

Uma área de restrição foi criada em volta do foco. Além de Nova Itaberaba, ela abrange os municípios vizinhos de Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, onde técnicos devem acompanhar cerca de 133 propriedades. As equipes farão visitas, exames clínicos nas aves e coleta de material, que seguirá para o laboratório federal de referência em São Paulo.

A presidente da Cidasc, a empresa estadual de defesa agropecuária catarinense, Celles Regina de Matos, afirmou que o vírus foi detectado sem que os animais adoecessem. “As aves não estão tendo sintomas e nem mortalidade”, disse. Ela pediu que os criadores reforcem os cuidados de biosseguridade e avisem o órgão se notarem qualquer anormalidade no lote.

Consumo segue liberado

Em entrevista coletiva em Brasília, o ministro André de Paula repetiu que não há risco para quem come carne de frango ou de peru com inspeção oficial. “O consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas”, declarou. Segundo ele, o caso foi descoberto pela vigilância ativa do serviço veterinário, com base em amostras recolhidas de 21 de setembro a 14 de outubro.

A doença de Newcastle é causada por um vírus que ataca aves domésticas e silvestres. Nos animais, provoca problemas respiratórios e nervosos e pode matar em grande número. Em pessoas, o efeito costuma se limitar a uma conjuntivite passageira, e a transmissão ocorre pelo contato com as aves, não pela comida.

Nenhum país vende mais carne de frango ao exterior do que o Brasil, e Santa Catarina ocupa o segundo lugar entre os estados exportadores. O ministério informou que não haverá recolhimento de produtos já distribuídos nem devolução de aves que saíram de outras propriedades da região.

Doença de NewcastleExportação de frangoMéxicoSanta CatarinaAgronegócio

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