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Ibovespa cai 13,9% e dólar sobe 8,2%, a R$ 5,40, após reeleição de Lula

Bolsa tem o pior dia desde março de 2020 e perde R$ 734 bilhões em valor de mercado; alta do dólar é a maior desde 1999.

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Quatro executivos de máscara batem o martelo atrás do púlpito azul com o logotipo da B3, a bolsa brasileira, em São Paulo
Foto de arquivo: Cerimônia no púlpito com o logotipo da B3, a bolsa de valores brasileira, em São PauloFoto: Governo do Estado de São Paulo/Flickr (CC BY 2.0)

Resumo

  • O Ibovespa caiu 13,88%, a maior queda desde março de 2020; o dólar subiu 8,21%, a R$ 5,40.
  • A bolsa perdeu R$ 734 bilhões em valor de mercado e 68 das 76 ações do índice fecharam em baixa.
  • Na quarta (28), o mercado espera a decisão de juros do Fed; o Tesouro cancelou leilões de terça e quinta.

O primeiro pregão após a vitória de Lula (PT) no segundo turno foi o pior da bolsa brasileira em mais de seis anos. Nesta segunda-feira (26), o Ibovespa terminou com desvalorização de 13,88%, em 176.608,23 pontos: o tombo diário mais forte desde março de 2020, quando a pandemia chegou aos mercados. O dólar à vista terminou o dia a R$ 5,4027, com alta de 8,21%, o maior salto em um só dia desde 13 de janeiro de 1999, quando o país mudou o regime cambial.

A eleição foi decidida no domingo (25): Lula teve 51,75% dos votos válidos, e o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), 48,25%. Uma parcela dos investidores esperava a vitória do senador e correu para desmontar apostas feitas nas semanas anteriores.

Como foi o pregão

O índice abriu perto dos 204 mil pontos e, às 10h03, a queda passou de 10% e a B3 suspendeu as negociações por 30 minutos, como mostrou a cobertura da manhã. Ao longo do dia, o índice foi de 205.088,74 pontos, no ponto mais alto, a 169.516,43 no mais baixo, nível que equivale a uma perda de 17,34% sobre o fechamento de sexta (23).

Depois da retomada, a perda voltou a superar 15%, mas não houve nova parada. A B3 explicou que a decisão tomada antes da abertura já levava em conta um cenário de queda acima de 20%, e que uma segunda interrupção só ocorreria se as perdas passassem desse patamar. Foram negociados R$ 88,6 bilhões, perto do triplo do que a bolsa costuma movimentar em um dia.

Foi a primeira vez em seis anos que o mecanismo foi usado. Desde 1997, o dispositivo já foi acionado 24 vezes, e esta foi a primeira ligada diretamente ao resultado de uma eleição presidencial. O Ibovespa fechou no menor nível desde 31 de agosto: no mês, acumula queda de 5,22%; em 2026, ainda sobe 9,61%.

Quem mais caiu e quem subiu

A pressão vendedora atingiu 68 das 76 ações do índice. Os bancos foram os mais castigados entre os papéis de maior peso:

  • Banco do Brasil (BBAS3): queda de 29,33%;
  • BTG Pactual (BPAC11): queda de 24,83%;
  • Bradesco (BBDC4): queda de 21,70%;
  • Itaú Unibanco (ITUB4): queda de 13,66%;
  • Petrobras (PETR4): queda de 8,18%, também pressionada pelo recuo do petróleo.

As maiores baixas do dia foram de empresas sensíveis ao custo do crédito: Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Exportadoras, que ganham com o dólar mais caro, subiram: Suzano (+10,08%), Embraer (+8,89%), WEG (+4,21%) e Vale (+4,01%).

Segundo a consultoria Elos Ayta, o valor de mercado conjunto das empresas listadas na B3 caiu de R$ 5,684 trilhões na sexta para R$ 4,950 trilhões, perda de R$ 734 bilhões (12,91%). A queda eliminou 75,5% da valorização acumulada em 2026 e também apagou os R$ 409 bilhões ganhos entre 2 e 23 de outubro.

Dólar: o que mudou no bolso

Pela Ptax do Banco Central, a taxa média usada em contratos, o dólar para venda ficou em R$ 5,5007 nesta segunda, contra R$ 5,0377 na sexta, alta de cerca de 9,2%.

A conta é simples. Quem precisa de US$ 1.000 para uma viagem, uma anuidade de cartão ou um curso no exterior pagava R$ 5.037,70 pela taxa de sexta. Pela Ptax de segunda, o mesmo valor sai por R$ 5.500,70: R$ 463 a mais, sem contar IOF e a margem de bancos e corretoras, que variam conforme a operação.

Na cotação do fechamento, R$ 5,4027, o dólar ficou abaixo da máxima da manhã, de R$ 5,6048. O movimento de volta, segundo os dados do mercado, veio de realização de lucros e da entrada de dólares de exportadores. Apesar do salto de segunda, a moeda ainda acumula queda de 1,57% no ano.

Governo e Banco Central

O Tesouro Nacional atuou na recompra de títulos públicos. Antes, o órgão havia cancelado os leilões de títulos prefixados e indexados à inflação de terça (27) e quinta-feira (29), o que evita vender dívida a juros muito altos.

A estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, descreveu o pregão como de “extrema volatilidade e forte aversão ao risco”, com o mercado “tentando assimilar a nova realidade” e atento à condução da política econômica do novo governo.

O que ainda falta saber

Os próximos dias devem mostrar se a correção continua ou se há recuperação parcial. Na quarta-feira (28), o mercado acompanha a decisão de juros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O que o governo sinalizar sobre as contas públicas também deve pesar nos preços. O resultado oficial da eleição está na matéria sobre a reeleição.

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