Pular para o conteúdo

Governo vai enviar ao Congresso as alíquotas do Imposto Seletivo, que começa em 2027

Durigan diz que a proposta sai nesta semana; tributo sobre cigarro, bebida e refrigerante deve render R$ 41,9 bilhões no Orçamento de 2027.

WhatsApp Facebook X Telegram
Dario Durigan, de terno azul e gravata listrada, fala ao microfone em audiência na Câmara, com a bandeira do Brasil ao fundo
Foto de arquivo: O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fala em audiência na Câmara dos DeputadosFoto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Resumo

  • Durigan diz que as alíquotas do Imposto Seletivo vão ao Congresso, provavelmente nesta semana.
  • O tributo começa em 2027 e atinge cigarro, bebida alcoólica, refrigerante, alguns carros, mineração e apostas.
  • A Fazenda quer manter a carga atual no início da transição; o Orçamento de 2027 prevê R$ 41,9 bilhões com o imposto.

Brasília deve mandar ao Legislativo, ainda nesta semana, o texto que fixa quanto cada produto pagará do Imposto Seletivo, o “imposto do pecado” da reforma tributária. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira (27), em Brasília, que o texto sai “provavelmente esta semana”. Sobre o instrumento, ele falou em enviar uma medida provisória (MP): “Vamos enviar [a MP] em breve”.

O ministro já havia adiantado, no começo do mês, que a proposta seguiria para o Congresso logo depois do segundo turno das eleições, realizado no domingo (25).

O que é o Imposto Seletivo

O tributo foi criado junto com a reforma tributária sobre o consumo e passa a ser cobrado em 2027. A ideia é encarecer produtos e atividades que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente, para reduzir o consumo deles. Pela lista já definida, entram:

  • cigarros;
  • bebidas alcoólicas;
  • refrigerantes e outras bebidas açucaradas;
  • alguns tipos de veículos, conforme o nível de poluição;
  • a mineração (extração de bens minerais);
  • loterias, apostas e os fantasy sports, jogos on-line.

A lei geral da reforma, a Lei Complementar 214/2025, trata das regras do imposto. O que ainda falta, e é o que o governo promete mandar agora, são as alíquotas: o percentual que cada produto vai pagar.

O que muda para o consumidor

Na prática, nada de imediato. A orientação da Fazenda, anunciada em junho, é não elevar a carga de início: o peso de impostos sobre esses produtos fica como hoje enquanto durar a transição, e as mudanças serão conversadas antes com os setores atingidos.

O objetivo de longo prazo é outro: com o tempo, tornar mais caros os itens nocivos. Ou seja, a conta do cigarro, da bebida e do refrigerante pode subir nos anos seguintes, conforme as alíquotas forem aprovadas e ajustadas. As datas e os percentuais só serão conhecidos quando o texto for publicado.

Quanto o governo espera arrecadar

A proposta de Orçamento enviada ao Congresso para 2027 estima receita de R$ 41,9 bilhões com o Imposto Seletivo. O tributo anda ao lado da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), também criada pela reforma e com início previsto para 2027. Com os dois, o governo diz buscar a manutenção da arrecadação estável em relação ao PIB, ou seja, sem aumentar o peso dos impostos sobre a economia como um todo.

O assunto chega num momento em que o ministro tenta equilibrar as contas públicas. Na segunda-feira (26), Durigan prometeu mudar a lei ou a Constituição para mirar o centro da meta fiscal.

O custo do cigarro e do álcool para o país

A Fazenda e o Ministério da Saúde citam números para justificar a cobrança:

  • Tabaco: as doenças ligadas ao tabagismo custam R$ 153,5 bilhões por ano ao país, o equivalente a 1,6% do PIB, somando custos diretos e indiretos (R$ 86,3 bilhões só nos indiretos). Já a arrecadação de tributos federais na venda de cigarros é de R$ 8 bilhões por ano. Em conta simples, o imposto federal cobre cerca de 5% do custo (8 ÷ 153,5).
  • Álcool: o Ministério da Saúde cita um estudo da Fiocruz que calculou o prejuízo do consumo de álcool em R$ 18,8 bilhões em 2019. Só R$ 1,1 bilhão foi despesa direta da União com internações e consultas no SUS; R$ 17,7 bilhões correspondem a produtividade perdida (mortes precoces, afastamentos, aposentadorias antecipadas e licenças).
  • Bebidas ultraprocessadas: numa análise preparada para justificar o imposto, o governo calculou em quase R$ 3 bilhões por ano o gasto do SUS com doenças ligadas a refrigerantes, isotônicos e refrescos.

O que diz o setor

Fabricantes nacionais de bebida alcoólica respondem que o setor já paga muito: segundo eles, os tributos ficam entre 40% e mais de 80% do preço final. A avaliação das empresas é que um novo aumento achataria a margem, subiria o preço na prateleira, poderia gerar demissões e daria força ao comércio ilegal.

O que ainda falta saber

  • o formato exato da proposta (a MP citada pelo ministro ou outro projeto) e a data de envio;
  • as alíquotas de cada produto e se haverá diferenças entre bebidas, como cerveja e destilados;
  • o calendário de tramitação no Congresso.

Quando o texto for enviado, o Fato em Dia atualiza esta matéria com os percentuais e as datas.

Como ficam as outras medidas do dia

Na mesma terça, o Planejamento e Orçamento também renovou a subvenção ao diesel, de R$ 2,12 por litro, por um mês, prazo que pode ser estendido de novo.

Imposto SeletivoReforma tributáriaDario DuriganCigarrosBebidas alcoólicas

Siga o Fato em Dia YouTube Instagram TikTok

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Mais sobre o assunto

Últimas de Economia

Ver tudo