Zelensky diz que EUA voltaram a repassar dados de inteligência à Ucrânia
Em entrevista à NBC, ucraniano diz que o fluxo foi "desbloqueado" e avisa que um alinhamento dos EUA com Putin seria "erro histórico".

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo (18) que os Estados Unidos voltaram a repassar a Kiev as informações de inteligência usadas para rastrear mísseis russos. Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da rede americana NBC, ele confirmou que o envio tinha sido interrompido por um período e disse que o canal já foi “desbloqueado”. “Estamos muito gratos por isso. Agora está funcionando”, declarou.
Por que esses dados importam
Sem os dados enviados por Washington, as forças ucranianas têm dificuldade para localizar e abater os mísseis balísticos muito rápidos que a Rússia lança em ondas contra cidades do país. Nos últimos dias, autoridades de Kiev relataram que alguns bombardeios chegaram sem nenhum aviso prévio. A fala de Zelensky, portanto, confirma que houve uma falha no fluxo de dados, algo que contraria declarações recentes do governo americano.
“Seria um erro histórico”
Apesar do mal-estar, Zelensky disse continuar enxergando Donald Trump como aliado. “Queremos confiar nele”, afirmou à apresentadora Kristen Welker. Ele disse esperar que o presidente americano reveja suas decisões, porque, na avaliação dele, “são todos erros” que não ajudam nem a Ucrânia nem os Estados Unidos.
O líder ucraniano foi além e alertou para o risco de uma aproximação formal de Washington com Moscou. Se os dois países ficarem lado a lado, disse, a Ucrânia “não vai prevalecer” e “não vai conseguir resistir”. Para ele, os EUA se colocarem do lado do presidente russo, Vladimir Putin, seria um “erro histórico”.
Sanções e acordo do diesel
A entrevista vem depois de uma semana de decisões americanas que desagradaram a Kiev. Na sexta-feira (16), Trump assinou uma ordem executiva que dispensa o país de aplicar as novas sanções contra a Rússia aprovadas pelo Congresso. Segundo o texto, a medida atende ao “interesse nacional” dos EUA. As sanções, aprovadas com apoio dos dois partidos e sancionadas no mês passado, miravam as fontes de receita de Moscou, punindo compradores de petróleo e gás russos.
A suspensão veio poucos dias depois de um acordo com Putin para colocar no mercado mundial centenas de milhares de toneladas de diesel russo, num momento de alta nos combustíveis. Zelensky afirmou que o acerto vai “fortalecer a vontade de Putin de nos ocupar”. Também disse que o entendimento não terá “influência real” sobre o preço do petróleo nos EUA, já que a alta, segundo ele, vem do bloqueio do Estreito de Ormuz e não da guerra na Ucrânia. “Não sei todas as razões pelas quais o presidente Trump faz esses acordos”, completou.
O ucraniano lamentou ainda que a suspensão tenha atingido uma lei que leva o nome do falecido senador republicano Lindsey Graham, a quem chamou de “grande apoiador da paz e da Ucrânia”.
Starlink e a troca de farpas
Zelensky voltou a tratar da limitação no uso do Starlink, tecnologia considerada essencial para derrubar drones a jato. Segundo ele, autoridades ucranianas acreditam que a restrição, aplicada pela SpaceX, de Elon Musk, foi uma resposta a uma “mensagem do governo americano”. Trump nega ter dado ordem para reduzir o serviço, como mostrou nossa cobertura de sexta.
Perguntado sobre a declaração de Trump nesta semana, de que seria “mais difícil lidar” com ele do que com Putin, Zelensky respondeu que é “muito honesto” com o americano. “Talvez não seja muito educado”, reconheceu, mas é “melhor ter parceiros muito abertos e claros do que aqueles que são assassinos, mesmo com um sorriso no rosto”. A relação entre os dois, que já vinha desgastada, trocou críticas públicas nas últimas semanas, e Zelensky acusou os EUA de trair Kiev na semana passada.
O que acontece agora
Os Estados Unidos são o maior apoiador militar da Ucrânia em mais de quatro anos e meio de guerra. O retorno das informações de inteligência recoloca em funcionamento a principal defesa contra os mísseis balísticos, mas a relação política entre Kiev e Washington segue tensa. Zelensky diz esperar que Trump mude de posição e insiste que a Ucrânia não resistiria a uma aliança formal entre os EUA e a Rússia.
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