Rubio diz que houve conversas sobre cúpula de Trump, Putin e Xi pela paz na Ucrânia
Nada foi definido, diz o secretário de Estado, que nega pausa na troca de informações com Kiev e cobra de Zelensky foco no fim da guerra.

ATUALIZAÇÃO (19/10, 7h45): a Ucrânia reagiu à possibilidade de uma cúpula sem Kiev. O chanceler Andriy Sybiha escreveu no X que uma reunião entre os líderes de Ucrânia, Estados Unidos e Rússia “poderia ajudar a encerrar a guerra mais cedo”, enquanto um encontro apenas entre Rússia, China e Estados Unidos “faria exatamente o contrário: incentivaria Putin a continuar esta guerra”. Para ele, “por qualquer critério pragmático ou moral, Putin não tem lugar à mesa com os presidentes Trump e Xi”. O Kremlin, por sua vez, confirmou que, como os três chefes de Estado poderiam participar de uma cúpula na China, o tema de um encontro hipotético “foi, de fato, mencionado”, mas afirmou que ninguém discutiu ou apresentou propostas ou acordos concretos sobre a reunião, a pauta ou o conteúdo.
Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, admitiu nesta segunda-feira (19) que há diálogo sobre um encontro de Donald Trump com Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China, com o objetivo de pôr fim ao conflito iniciado pela invasão russa da Ucrânia. Ao mesmo tempo, ele disse não saber se algo concreto foi combinado e negou que Washington tenha interrompido o compartilhamento de informações com Kiev.
“Houve conversas sobre uma reunião”
Rubio estava no Uzbequistão, no começo de uma viagem pela Ásia Central, quando um repórter perguntou sobre a reportagem do jornal Wall Street Journal. O texto diz que Putin sugeriu uma cúpula a três em um telefonema com Trump no início deste mês. “Bem, não sei. Quer dizer, acho que houve conversas sobre uma reunião. Não sei se alguma coisa foi definida”, respondeu.
O secretário afirmou que o presidente americano “está aberto a qualquer coisa que possa fazer para ajudar a pôr fim à guerra, se isso for possível”. E reconheceu a falta de resultados até agora: “Obviamente, não fizemos o tipo de progresso que gostaríamos de ter feito, mas não foi por falta de tentativa”.
Pelo relato do WSJ, o ucraniano Volodymyr Zelensky ficaria de fora. O jornal ouviu um alto funcionário dos EUA, que disse que Trump ainda não topou o encontro. Questionado na coletiva diária desta segunda, o porta-voz da diplomacia chinesa limitou-se a dizer: “Não tenho informações a compartilhar neste momento”.
Starlink e inteligência: Rubio rebate Zelensky
Na mesma conversa com jornalistas, em Samarcanda, Rubio contestou o que Zelensky disse em entrevista à NBC News: que os Estados Unidos haviam bloqueado por três dias o compartilhamento de informações de inteligência durante ataques com mísseis balísticos contra a Ucrânia. “Não houve nenhuma pausa”, declarou o secretário. “Não sei de onde ele está tirando essas coisas nem por que está dizendo essas coisas à imprensa. Vocês deveriam voltar e perguntar a ele. Não houve nenhuma interrupção.”
Em outra fala, Rubio disse que Zelensky precisa “se concentrar em pôr fim à guerra”. Kiev depende do Starlink, a rede de internet por satélite da SpaceX, de Elon Musk, para se defender dos russos; na versão de Zelensky, o serviço caiu na semana passada.
Trump também critica Zelensky
Trump também voltou a criticar o líder ucraniano no domingo (18). Segundo relato da emissora estatal russa RT, reproduzido pelo site Brasil 247, ele afirmou que Zelensky rejeitou o fim da guerra e perdeu a chance de um acordo melhor, e atribuiu aos ataques ucranianos contra refinarias russas os impactos no mercado de combustíveis. O tom segue a linha dos últimos dias: na sexta (16), o presidente americano suspendeu sanções e tarifas contra compradores de petróleo russo, e Zelensky chamou de “paródia” a postura de Moscou e criticou o acordo do diesel de Trump (leia mais em Trump suspende sanções e tarifas contra compradores de petróleo russo e Zelensky chama postura da Rússia de paródia).
A viagem à Ásia Central
O chefe da diplomacia desembarcou no domingo à noite em Samarcanda, na antiga Rota da Seda, para uma passagem rápida pela região. A ideia é estreitar o comércio com nações abundantes em recursos naturais e aumentar a presença americana num espaço em que a China ganha peso. Estão previstos encontros com autoridades de Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Turcomenistão, além dos anfitriões uzbeques, com pauta diplomática e comercial.
O que fica em aberto
Por ora, o que existe é uma conversa sem data, sem local e sem confirmação formal de nenhum dos três líderes. Rubio não detalhou quem teria proposto o quê, o governo chinês não confirmou a discussão, e a reportagem original do WSJ aponta que Trump não aderiu ao formato. A tensão entre Washington e Kiev, por sua vez, continua pública: enquanto Rubio pede que Zelensky foque o fim da guerra, o presidente ucraniano mantém a versão de que houve interrupção no fluxo de informações.
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