Campanha de Lula pede ao TSE a cassação da chapa de Flávio e aciona a Meta
Camilo Santana diz que ação será protocolada nesta quarta; Meta nega favorecimento e atribui os episódios a falhas técnicas.
Resumo
- A campanha de Lula diz que vai pedir ao TSE a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por suposto favorecimento da Meta.
- O PT também vai acionar a empresa; a Meta nega interferência e atribui os problemas relatados a falhas técnicas.
- O anúncio saiu depois de reunião das campanhas e da Meta no TSE, a quatro dias do segundo turno.
O comitê de Lula (PT) vai levar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para cassar a chapa de Flávio Bolsonaro (PL), sob a alegação de que a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, favoreceu o adversário. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (21) pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha petista, a quatro dias do segundo turno.
Segundo Camilo, o pedido deve ser protocolado ainda nesta quarta. A campanha também vai entrar com uma ação contra a própria Meta. “Setor jurídico da campanha está entrando com todas as ações contra a candidatura e contra a Meta. Hoje mesmo. Estamos entrando hoje”, afirmou. Conforme o senador, a medida é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a campanha de Flávio, com base na atuação da empresa durante a disputa.
O que a campanha alega
A decisão saiu depois de uma reunião no TSE entre as campanhas e representantes da big tech, convocada para esclarecer a suspeita de tratamento diferente entre os candidatos nas ferramentas da Meta. Entre os episódios citados pelos petistas está o de uma inteligência artificial da empresa que criou imagens favoráveis a Flávio e bloqueou a mesma função para o candidato do PT. A campanha também relata dificuldade para impulsionar conteúdos pagos nas redes.
“Nós estamos em um empate, uma eleição empatada. Está evidente que isso é uma tentativa de interferência das redes sociais”, disse Camilo a jornalistas. Para ele, há “uma tentativa clara de tentar impedir os avanços da campanha do presidente Lula no Brasil”, e as plataformas digitais agiriam nesse sentido, em especial as da Meta.
Sidônio Palmeira, que comanda a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, também fez críticas à empresa. “A Meta é motivo de grande preocupação para a gente em um mundo democrático. A interferência das big techs nas eleições, na democracia dos países. Nós não vamos aceitar esse tipo de coisa”, declarou, ao dizer que o tema preocupa outros países.
O que diz a Meta
A Meta nega qualquer interferência no processo eleitoral e qualquer favorecimento político. Segundo a empresa, os problemas relatados foram falhas técnicas. Na segunda-feira (19), o ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para a Meta comprovar que tomou providências para garantir igualdade entre as candidaturas. Na resposta ao tribunal, a empresa afirmou ter cumprido as determinações e garantido tratamento isonômico.
Depois da decisão de Bellizze, a campanha de Flávio também disse ao TSE que conteúdos de sua candidatura foram prejudicados nas plataformas da empresa. Na terça-feira (20), o Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente ligado à companhia, criticou “falhas recorrentes” na aplicação das normas eleitorais.
O que vem a seguir
O segundo turno está marcado para domingo (25). Até lá, o TSE terá de analisar os pedidos da campanha petista, que se somam às queixas que as duas candidaturas já levaram ao tribunal.
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