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Flávio aceita abrir o sigilo, mas faz 8 exigências a Lula, do Marcola ao cartão de Janja

Senador oferece abrir 20 anos de dados bancários, fiscais e telefônicos e cobra do presidente o celular do ex-chefe de gabinete, o Instituto Lula e os gastos do cartão corporativo.

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Resumo

  • Flávio aceitou o desafio de Lula e oferece abrir 20 anos de sigilos, dele, da família e de quatro empresas.
  • Em troca, cobra o celular do Marcola, o Instituto Lula, o cartão de Lula e Janja e mais cinco itens.
  • Alckmin diz que a lista é uma "desculpa"; a votação do segundo turno é no domingo (25).

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, aceitou nesta quarta-feira (21) o desafio do presidente Lula (PT) para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas devolveu a proposta com uma lista de exigências. Em agenda de campanha em Guarulhos (SP) e em documento enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio disse que abre os próprios dados se o petista também abrir os de pessoas e entidades ligadas a ele.

Flávio ofereceu ir além do que Lula propôs: em vez de oito anos, ele aceita abrir os últimos 20 anos de dados bancários, fiscais e telefônicos, incluindo os familiares citados por Lula e quatro empresas das quais é sócio ou administrador. Também disse não se opor à divulgação de todas as mensagens que trocou com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

As oito exigências de Flávio

No documento ao TSE e nas falas em Guarulhos, o senador condicionou a abertura dos próprios sigilos a estes pontos:

  1. Celular do Marcola: a quebra do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que deixou o cargo em julho.
  2. Instituto Lula: a abertura dos sigilos do instituto do presidente.
  3. Cartão corporativo: os gastos do cartão corporativo de Lula e da primeira-dama, Janja.
  4. Filhos e empresas: dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos dos filhos de Lula e de empresas ligadas a eles, desde 2003.
  5. Auxiliares: o sigilo de assessores que teriam usado telefones em nome do presidente.
  6. Vorcaro: registros de reuniões de Lula com o banqueiro, das entradas dele no Palácio do Planalto e no Alvorada, de visitantes durante a prisão de Lula e de voos de uma aeronave ligada a Vorcaro.
  7. Vaccari: os sigilos de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.
  8. Outros nomes: os sigilos de Roberta Luchsinger, lobista próxima de Lulinha, de Edson Claro, de Frei Chico, irmão de Lula, e do Sindnapi, sindicato do qual Lula é vice-presidente.

“Então eu abro meu sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?”, disse Flávio em Guarulhos. Ele também cobrou: “Pra eu abrir meu sigilo, você vai abrir o sigilo do Instituto Lula” e “você vai abrir o sigilo do seu cartão corporativo e da Janja”.

No documento, o senador argumenta que abrir só os dados de Lula seria insuficiente, porque informações sobre o patrimônio do presidente estariam em nome de familiares, assessores e terceiros.

“Você não tem celular? Sabe quem recebe as ligações com você? O Marcola”

Flávio Bolsonaro, em Guarulhos (SP)

O “não tenho celular” de Lula

A exigência sobre o Marcola mira uma frase repetida pelo presidente, que já disse em eventos públicos que não tem celular. “Você não tem celular? Sabe quem recebe as ligações com você? O Marcola”, afirmou Flávio. O vídeo acima mostra Lula dizendo, como presidente, que não tem celular, e o desafio que ele fez no debate da Band, no domingo (18): “Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico”.

A resposta do lado de Lula

Na terça-feira (20), Lula entregou ao TSE e ao STF uma autorização para abrir os próprios sigilos e os da família nos últimos oito anos, desde que Flávio faça o mesmo. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta quarta que o senador “está dando uma desculpa” e que “não dá para ser candidato à Presidência da República e não querer prestar contas”.

O pedido de Lula foi sorteado no TSE para o ministro André Mendonça. A votação do segundo turno entre os dois é no domingo (25).

Flávio Bolsonaro, de terno azul-claro, fala ao microfone da tribuna do Senado, ao lado da bandeira do Brasil
Foto de arquivo: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, na tribuna do SenadoFoto: Carlos Moura/Agência Senado

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