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Meta nega interferir na eleição; TSE exige tratamento igual a Lula e Flávio

Empresa responde à campanha de Lula e cita falha técnica; decisão de Bellizze prevê multa de R$ 500 mil por dia em caso de descumprimento

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Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, durante o primeiro turno das eleições de 2026
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A Meta, dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, negou nesta sexta-feira (16) ter interferido nas eleições brasileiras ou favorecido qualquer candidato. A nota veio depois de a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e alegar tratamento desigual em relação a Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno.

“A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político”, disse a empresa. Segundo a nota, os sistemas da plataforma “não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política”, e as regras e sua aplicação valem igualmente para todos.

A decisão do TSE

Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta garanta tratamento igualitário às duas candidaturas até o fim do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Se descumprir, a empresa paga multa diária de R$ 500 mil.

Pela decisão, a Meta não pode reduzir a distribuição de publicações, limitar recomendações ou restringir resultados de busca de forma desigual entre os candidatos. São permitidas as restrições previstas em regras aplicadas igualmente às duas campanhas ou determinadas pela Justiça Eleitoral. A empresa também não pode desativar contas de anúncios das candidaturas nem restringir impulsionamentos sem revisão humana. Se uma medida automática for aplicada, ela precisa ser revisada em até duas horas, com comunicação ao tribunal.

Bellizze ressaltou, no texto, que até agora não há elementos suficientes para concluir que a empresa tenha manipulado de propósito a distribuição de conteúdos para favorecer ou prejudicar alguma candidatura.

O que motivou a queixa

A manifestação da Meta ocorre em meio a questionamentos sobre o funcionamento de suas ferramentas de inteligência artificial e a problemas relatados pela campanha de Lula na veiculação de anúncios e na contagem de visualizações de vídeos. Um dos episódios envolve a Meta AI: usuários relataram que a ferramenta impedia a criação de imagens favoráveis a Lula, mas permitia gerar conteúdos semelhantes em apoio a Flávio.

Segundo a empresa, o problema identificado em 14 de outubro foi causado por uma falha nos mecanismos de proteção, que bloqueavam pedidos com os nomes completos dos candidatos, mas não reconheciam outras formas de citá-los. A Meta atribuiu os demais casos a incidentes técnicos nas redes.

Próximos passos

Com a ordem do TSE em vigor, a empresa terá de prestar contas ao tribunal caso aplique medidas automáticas contra contas ou anúncios das campanhas. A campanha de Lula demonstrou preocupação com a interferência da plataforma, e a disputa deve continuar na Justiça Eleitoral até a votação, a nove dias.

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