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Alckmin diz que Flávio usa 'desculpa' para não abrir os sigilos

Vice de Lula cobra explicações do senador; aliados de Flávio veem o desafio como armadilha e orientam a campanha a ignorá-lo.

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Geraldo Alckmin, de óculos, terno escuro e gravata verde, em primeiro plano, ao lado de uma mulher de blusa de bolinhas, com bandeiras do Brasil ao fundo
Foto de arquivo: O vice-presidente Geraldo Alckmin em cerimônia em BrasíliaFoto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Resumo

  • Alckmin diz que Flávio Bolsonaro dá uma "desculpa" ao condicionar a abertura dos sigilos a outras exigências.
  • Lula entregou ao TSE e ao STF, na terça (20), autorização para abrir os dados dele e da família, desde que Flávio faça o mesmo.
  • Aliados do senador veem o desafio como armadilha e a campanha deve ignorá-lo a quatro dias do segundo turno.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice na chapa de reeleição de Lula (PT), afirmou nesta quarta-feira (21) que o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno, está “dando uma desculpa” para não abrir os próprios sigilos. A declaração foi dada durante um ato de campanha em Campinas (SP), ao lado do ex-ministro Fernando Haddad (PT).

O que Alckmin disse

O vice reagiu à posição do candidato do PL, que passou a exigir, antes de abrir os próprios dados, que o governo torne públicas as despesas da gestão petista e a lista de quem foi recebido no Planalto. Para Alckmin, a condição não se sustenta. “Ele tá dando uma desculpa, né? Vida pública é vida pública. Não dá para ser candidato à Presidência da República e não querer prestar contas”, declarou.

O vice também disse que Flávio deve satisfações em dois pontos. O primeiro é a suposta sociedade do senador com o advogado Willer Tomaz, que é alvo de investigação. O segundo são os R$ 134 milhões que o parlamentar teria pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Como a disputa começou

A troca de acusações vem do debate presidencial da Band, no domingo (18). Ali, Lula provocou o adversário a liberar a devassa nas contas e nos telefones dos dois candidatos e das famílias. O senador respondeu que nada tem a esconder, sem dizer se aceitaria o convite. No mesmo debate, ele acusou Lula de movimentar dinheiro fora das próprias contas bancárias.

Na terça-feira (20), o presidente deu o passo formal: apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para tornar públicos os dados bancários, fiscais e de telefonia dele. O aval vale ainda para a família: a primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e os cinco filhos do presidente.

“Vida pública é vida pública. Não dá para ser candidato à Presidência da República e não querer prestar contas”

Geraldo Alckmin, vice-presidente e candidato a vice na chapa de Lula

Há, porém, uma condição. A abertura só vale se Flávio fizer o mesmo, e se Jair Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL) também aderirem. O pedido cobre oito anos de informações, inclusive contas bancárias e empresas abertas no nome dos candidatos. Outros dois textos do site detalham o pedido de Lula: veja a petição ao TSE e o desafio feito por Lula.

A estratégia do outro lado

Para aliados de Flávio, a iniciativa de Lula é uma cilada política, e a campanha foi aconselhada a fingir que o desafio não existe. O raciocínio é que dar resposta manteria o assunto em pauta e favoreceria a tática do PT de cobrar transparência para desgastar o rival.

O time do senador quer manter o foco em ataques ao PT. Quando for obrigada a tocar no assunto, a ideia é devolver a pergunta e questionar Lula sobre as investigações que envolvem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Procurada, a campanha de Flávio não havia comentado as declarações de Alckmin.

O que está em jogo

Sigilo bancário é o acesso ao extrato e à movimentação de contas; o fiscal reúne declarações de imposto de renda e dados da Receita Federal; e o telefônico trata dos registros de ligações, sem o conteúdo das conversas. Pela lei, a quebra desses sigilos depende, em regra, de decisão judicial, e é por isso que a petição de Lula foi apresentada ao TSE e ao STF. No TSE, o pedido foi sorteado para o ministro André Mendonça.

O embate ocorre a quatro dias da votação do segundo turno, marcada para domingo (25). Pesquisas recentes mostram uma disputa apertada: o levantamento Quaest divulgado nesta quarta aponta Flávio com 45% e Lula com 44%, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Nesse cenário, os dois lados tratam a cobrança de transparência e a rejeição do adversário como assuntos centrais da reta final.

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