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Lula e Flávio fecham acordo para abrir sigilos, mas Mendonça precisa autorizar

Campanhas assinam documento no TSE e prometem divulgação simultânea hoje; equipe de Flávio quer analisar os papéis de Lula antes.

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Lula, de blazer azul, segura um megafone e sorri diante de um painel com o nome Lula, cercado de apoiadoresFlávio Bolsonaro, de terno azul-claro e gravata azul-marinho, fala ao microfone da tribuna do Senado, ao lado da bandeira do Brasil
Foto de arquivo: Lula (à esquerda) e Flávio Bolsonaro, candidatos no 2º turnoFotos: Ricardo Stuckert/PR (à esq.) e Carlos Moura/Agência Senado (à dir.)

Resumo

  • Campanhas de Lula e Flávio assinam acordo para abrir, de forma simultânea, os sigilos dos dois candidatos.
  • O ministro André Mendonça, do TSE, ainda precisa autorizar e pedir os dados a bancos, Receita e operadoras.
  • A equipe de Flávio quer examinar os documentos de Lula antes de entregar os dela; o prazo é 23h59 de hoje.

As campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) chegaram a um acordo na manhã desta quinta-feira (22) para abrir, de maneira “total e simultânea”, os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos que disputam o segundo turno. O entendimento, porém, ainda depende do aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): a palavra final é de André Mendonça, o ministro que cuida do processo.

O documento foi lido à imprensa, no início da tarde, pelo senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da campanha do presidente. Assinam o texto o presidente e Maria Claudia Bucchianeri, que comanda os advogados da campanha de Flávio. “Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro candidatos à Presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respectivos sigilos”, diz o texto.

O que as campanhas pedem a Mendonça

Pelo combinado, as liberações têm de chegar ao TSE até as 23h59 de hoje. O texto pede que Mendonça determine, ainda nesta quinta, a requisição de dados ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia, com divulgação simultânea no DivulgaCandContas ou em outro endereço eletrônico de acesso público.

Segundo o documento, os dados das autorizações já apresentadas, das de familiares e das de empresas “serão abertos e divulgados hoje, 22.10.2026”. A abertura, afirma o texto, será “imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos”.

Flávio quer examinar os papéis de Lula primeiro

Pouco depois do acordo, a campanha de Flávio avisou que pretende analisar a documentação entregue pelo lado de Lula antes de entregar a sua em definitivo. A intenção, segundo a equipe jurídica, é verificar se o petista cumpriu tudo o que foi combinado nos desafios públicos dos últimos dias. A análise será feita pelos advogados Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet e pelo senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). O senador Sergio Moro (PL-PR) é cotado para ajudar à distância.

Deltan contou que foi “escalado” para checar a “completude” do que veio da campanha rival, incluindo papéis do Instituto Lula e de aliados antigos do petista. “A história de Lula precisa ser resgatada por meio desses documentos”, declarou a jornalistas no TSE. Numa segunda etapa, disse, o exame procura sinais de patrimônio ilícito e de bens escondidos.

Maria Claudia Bucchianeri disse que a papelada de Lula precisa mostrar “transparência real”. Ela afirmou que a campanha de Flávio entregará tudo “imediatamente” se o presidente tiver feito o mesmo: “Se ele verdadeiramente trouxe os documentos que a gente pediu, como ele disse que faria, nós reafirmamos aqui em público: aquilo que a gente peticionou, vamos trazer e será bastante rápido”. A equipe ainda não sabe se conseguirá examinar os papéis no próprio TSE nem quanto tempo isso levará.

O ponto da Alcazar

Mais cedo, em petição, os advogados de Lula escreveram que ele “não se opõe a absolutamente nada” sobre a abertura de seus sigilos. Pediram, porém, que o desafio original seja cumprido por inteiro e que a lista de Flávio traga também a Alcazar Holdings, firma instalada na Ilha da Madeira e pertencente ao advogado Willer Tomaz, descrito como amigo próximo do senador.

Segundo a peça, a Polícia Federal localizou registros em que Flávio aparece como “usuário master” da conta da Alcazar num banco privado; a ligação só teria sido encerrada em maio de 2025, após a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. A petição lembra ainda uma viagem do senador num jato executivo da empresa de Willer Tomaz. “Se, como [o candidato do PL] afirma, nada tem a esconder, não há razão para que a conta da Alcazar fique fora das gavetas que ele mesmo propôs abrir. Quem não deve, não recorta”, afirma a peça.

Como chegou até aqui

O “desafio dos sigilos” surgiu no debate da Band, no domingo (18), quando Lula provocou o adversário. Dois dias depois, na terça (20), ele levou ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal uma autorização para abrir seus dados bancários, fiscais e telefônicos, e os de parentes, referentes a oito anos, com a condição de que Flávio fizesse igual.

Na quarta (21), numa petição endereçada a Mendonça, Flávio classificou a oferta como “gaveta vazia”, alegando que os bens do presidente estão em nome de terceiros. Autorizou a quebra dos próprios sigilos por 20 anos, mais os de empresas em que é sócio ou administrador, e afirmou que não se opõe a revelar as conversas que teve com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em troca, entregou uma lista de exigências: dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula, as despesas do cartão corporativo da Presidência e os compromissos da primeira-dama, Janja, de antes de fevereiro de 2025, quando ela começou a divulgar a agenda.

Camilo Santana afirmou que o presidente aceitaria todas as condições se Flávio também cumprisse a sua parte. Com o segundo turno no domingo, o assunto domina a reta final da disputa e ocupa os dois comitês.

O que acontece agora

Falta, primeiro, a decisão de Mendonça sobre o pedido conjunto. Depois, a requisição dos dados aos bancos, à Receita e às operadoras de telefonia, e a divulgação em endereço público. A equipe de Flávio diz que só entrega a sua documentação em definitivo depois de avaliar como satisfatório o material do presidente, e o acordo prevê que a abertura seja simultânea para os dois lados.

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