Lula pede ao TSE abertura de sigilos dele e da família se Flávio fizer o mesmo
Petição propõe divulgar dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos até quarta (21); André Mendonça é o relator.
Resumo
- Lula protocolou no TSE e no STF petição para abrir seus sigilos e os da família se Flávio fizer o mesmo
- Proposta abrange dados bancários, fiscais e eletrônicos dos últimos 8 anos, com divulgação até quarta (21)
- Relator é o ministro André Mendonça; aliados de Flávio no PL defendem ignorar a proposta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, entregou nesta terça-feira (20) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição em que se diz pronto a abrir os próprios sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos, assim como os da mulher, dos cinco filhos e de uma empresa da qual é sócio. A condição é que o adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL), autorize a mesma coisa sobre ele, os pais, os irmãos, a esposa e as firmas ligadas a ele.
A defesa do petista propõe que os dados dos dois candidatos sejam tornados públicos até esta quarta-feira (21), pelo sistema de divulgação de contas de campanha do próprio tribunal ou por outra página aberta à consulta. O caso foi sorteado para o ministro André Mendonça, que será o relator. Um documento com o mesmo conteúdo também foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O desafio do debate virou papel
A proposta formaliza o desafio que Lula lançou a Flávio no debate da Band, no domingo (18), e repetiu na segunda (19), durante agenda de campanha em Porto Alegre. Nesta terça, em entrevista em São Luís (MA), o presidente voltou ao tema.
“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele tem coragem de abrir a vida secreta dele”, afirmou.
Do lado de Lula, a lista inclui a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, os filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís (o Lulinha), Sandro Luís e Luís Cláudio, além da empresa de palestras do presidente (L.I.L.S.), na qual ele é sócio sem cargo de administração.
“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto”
Do lado de Flávio, o pedido cita o ex-presidente Jair Bolsonaro, a mãe, Rogéria, os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, a mulher, Fernanda, e empresas como o escritório de advocacia do senador, a All In One Corretora de Seguros, a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e a Bolsonaro Digital.
O que dizem as campanhas
Para o secretário da campanha petista, Éden Valadares, a iniciativa se apoia nos princípios constitucionais de moralidade e probidade. “Lula toma uma iniciativa histórica, que risca no chão a diferença dos candidatos, dando transparência a todo o seu sigilo e desafia o adversário a fazer o mesmo. Quem não deve, não teme”, declarou.
No debate de domingo, Flávio disse não ter “absolutamente nada a esconder”, mas não respondeu se autorizaria a quebra dos próprios sigilos. Aliados do senador no PL tratam a proposta como uma armadilha e defendem que ele não entre no assunto e mantenha o foco da reta final em críticas ao governo do PT.
Próximos passos
Cabe agora ao ministro André Mendonça decidir como o TSE vai tratar a petição. Pela proposta da defesa de Lula, a divulgação só acontece se houver autorização dos dois lados. O segundo turno da eleição presidencial está marcado para o próximo domingo (25).
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