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Juíza dá a Trump até 11 de dezembro para depor e ameaça arquivar ação contra a BBC

Magistrada duvida da busca de documentos feita pela defesa; Trump acusa a emissora de editar seu discurso de 6 de janeiro.

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Donald Trump, de terno azul e boné vermelho, sorri diante da bandeira dos Estados Unidos e do brasão presidencial
Foto de arquivo: Donald Trump, presidente dos Estados UnidosFoto: The White House

Resumo

  • Juíza federal dos EUA diz que pode arquivar a ação de Trump se ele não colaborar com a produção de provas.
  • Trump deve prestar depoimento até 11 de dezembro, prazo que as partes admitem adiar.
  • A BBC já emitiu ao menos 47 intimações, entre elas a Jared Kushner e Ivanka Trump.

Uma juíza federal dos Estados Unidos avisou nesta quinta-feira (22) que pode arquivar a ação de US$ 10 bilhões que o presidente Donald Trump move contra a BBC, caso ele e a equipe jurídica não passem a colaborar de fato com a troca de documentos e informações do processo. Entre as exigências está o depoimento do próprio presidente, que a magistrada fixou para até 11 de dezembro.

A decisão saiu de uma audiência em que a juíza Enjoliqué Aytch Lett questionou os advogados de Trump sobre o ritmo do caso. “Participar da fase de produção de provas é algo trabalhoso, mas é um ônus que assumimos, especialmente quando decidimos abrir um processo judicial”, afirmou ela.

Dúvida sobre a busca de documentos

A magistrada demonstrou ceticismo com o trabalho feito pelo lado do presidente para localizar documentos internos ligados ao caso. Ela disse concordar com a emissora britânica quando esta sustenta que é difícil acreditar que tenha havido uma busca minuciosa para saber se todos os pedidos foram atendidos.

Na mesma audiência, Lett autorizou um pedido da BBC por registros de quem frequenta o Mar-a-Lago, clube e residência de Trump na Flórida. Tanto a juíza quanto as partes admitiram que a data do depoimento pode ser adiada, o que mantém o prazo de 11 de dezembro em aberto.

O que está em disputa

Trump abriu o processo em dezembro de 2025. Ele afirma ter sido difamado por um documentário da BBC sobre a volta dele ao cenário político, levado ao ar antes da eleição de 2024. O ponto central da acusação é a edição do discurso que o presidente fez em 6 de janeiro de 2021, diante da Casa Branca, pouco antes de apoiadores invadirem o Capitólio.

Segundo a ação, o programa juntou dois trechos que, na fala original, estavam separados. Num deles, Trump pedia que os seguidores caminhassem até o Capitólio; no outro, mais adiante, dizia aos manifestantes que “lutamos como loucos”. O presidente nega ter incitado o tumulto.

A BBC admitiu que a edição foi enganosa e pediu desculpas pelo que chamou de erro de julgamento não intencional, mas rejeita pagar indenização e afirma que ele não tinha motivo para processá-la. O episódio levou à saída do então diretor-geral, Tim Davie, e da então diretora executiva de jornalismo, Deborah Turness.

Limites da busca de provas

Numa decisão anterior sobre a mesma disputa, o tribunal já havia entendido que a emissora tem direito a informações capazes de esclarecer a “mensagem” do discurso e a “impressão” que ele deixou. A corte frisou, porém, que isso não dava à BBC carta branca para “reabrir a discussão” sobre os acontecimentos de 6 de janeiro.

Mesmo com esse limite, a emissora disparou pelo menos 47 intimações a autoridades do governo, tanto atuais quanto antigas, além de assessores privados do entorno de Trump que acompanharam as tentativas de reverter o resultado da eleição. Entre os alvos aparecem Jared Kushner, Ivanka Trump, Bill Barr, que foi procurador-geral, e Pat Cipollone, que foi advogado da Casa Branca.

O que vem pela frente

O caso corre na Justiça federal da Flórida, onde Trump tem residência. Ele pediu julgamento por júri, o que é praxe nos Estados Unidos. Em ações por difamação, figuras públicas costumam enfrentar uma barreira alta: precisam demonstrar que a declaração era falsa e que quem a divulgou sabia disso ou ignorou a verdade de forma imprudente.

Especialistas jurídicos avaliam que, na fase de produção de provas, os advogados do presidente tendem a pedir à emissora comunicações internas que mostrem se sinais de alerta foram ignorados. Agora, o aviso da juíza deixa claro que o processo pode ser encerrado se o lado de Trump não cumprir a sua parte.

Trump já recorreu à Justiça contra veículos de imprensa com pedidos de valor alto. Em 2024 processou a CBS em US$ 20 bilhões por causa da edição de uma entrevista com Kamala Harris, e o caso terminou em acordo de US$ 16 milhões. Em julho de 2025 acionou o Wall Street Journal, também em US$ 10 bilhões, por uma reportagem sobre os laços dele com Jeffrey Epstein; essa ação segue em andamento.

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