Intelectuais e ex-ministros divulgam manifesto de apoio à reeleição de Lula
Texto assinado por 15 nomes, entre eles Ricupero e Miguel Reale Jr., diz que o apoio é ao país e preserva críticas ao governo.

Pensadores, economistas, professores e ex-membros de governos anteriores publicaram neste sábado (17) uma carta em defesa de mais um mandato para Lula (PT) no segundo turno. O documento também critica o projeto do adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Onde o texto foi entregue
O manifesto foi apresentado num encontro na sede do sindicato dos trabalhadores de processamento de dados e tecnologia da informação de São Paulo, no bairro de Santa Cecília, na capital paulista. Estiveram na agenda o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ex-ministros Fernando Haddad (Fazenda, PT), Marina Silva (Meio Ambiente, Rede) e Simone Tebet (Planejamento, PSB).
Quem assina
A lista de signatários reúne 15 pessoas. Entre elas estão o diplomata Rubens Ricupero, o jurista Miguel Reale Jr., o economista Eduardo Giannetti, a ex-ministra Izabella Teixeira, o climatologista Carlos Nobre, a educadora Claudia Costin e o jurista Oscar Vilhena. Completam o grupo José Carlos Dias, Floriano Pesaro, Beatriz Bracher, Fabio Feldman, Aloysio Nunes Ferreira, Rosiska Darcy de Oliveira, Beatriz Cardoso e José Carlos Carvalho.
O que diz o documento
Com o título “Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil”, o texto sustenta que mais quatro anos de Lula criam condições melhores de manter o equilíbrio entre as instituições e de proteger direitos e liberdades democráticas. “Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao País melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades”, diz a declaração.
Em sentido oposto, os signatários afirmam que a candidatura de Flávio traz riscos de retrocesso social e institucional. Eles apontam ameaça a conquistas sociais já consolidadas e à atuação diplomática do país, citando em particular o diálogo multilateral e a necessidade de manter abertos os canais de conversa entre diferentes setores da sociedade.
Ressalva sobre o governo
O manifesto faz questão de dizer que o apoio não equivale a concordar com tudo o que o governo faz. “Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las”, afirma o texto. E completa: “Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.”
Prioridades listadas
O grupo defende crescimento da economia, criação de empregos, retomada da capacidade industrial, estímulo à inovação e avanço da agricultura de baixo carbono. Menciona ainda educação, ciência e tecnologia, além do cuidado com o meio ambiente: florestas, água, diversidade biológica e minerais considerados estratégicos.
Na parte institucional, a carta pede que a diversidade e os direitos básicos sejam respeitados. Afirma que opositores, órgãos públicos, universidades, jornalistas e entidades civis não podem ser vistos como inimigos. O crescimento econômico, segundo o texto, precisa andar junto com estabilidade, proteção ambiental e uso responsável da natureza, pensando nas próximas gerações.
O contexto da disputa
O documento sai a oito dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O último Datafolha, divulgado na quinta-feira (15), mostrou Flávio com 47% e Lula com 45%, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos, como o site mostrou.
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