Flávio aciona o TSE contra impulsionamento de páginas pró-Lula e canal de Janones
Campanha pede dados à Meta, ao Google e ao X e questiona por que o WhatsApp não viu comportamento coordenado no 'Exército do Lula'.

Resumo
- A campanha de Flávio pediu ao TSE dados sobre o impulsionamento de páginas pró-Lula.
- O alvo é o canal 'Exército do Lula', no WhatsApp, que passou de 6 milhões de seguidores na terça (20).
- O pedido também cobra de Meta, Google e X medidas contra a amplificação artificial de conteúdo eleitoral.
Os advogados da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) foram ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, na noite de terça-feira (20). Querem esclarecimentos sobre como foram turbinadas, nas redes, as páginas que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. O alvo principal é o “Exército do Lula”, canal do WhatsApp que passou dos 6 milhões de inscritos na própria terça e virou ponto de partida de campanhas de apoiadores do petista na internet. O segundo turno está marcado para domingo (25).
A dúvida sobre o WhatsApp
A petição pergunta por que o WhatsApp “não identificou sinais de comportamento coordenado” no canal. Para a defesa de Flávio, existe o risco de uma estrutura capaz de reunir milhões de pessoas em poucos minutos ser usada “contra o adversário e contra a própria Justiça Eleitoral” nos últimos dias antes da votação.
Como exemplo, os advogados citam o que veio depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo (18). Segundo a ação, os participantes do canal receberam a instrução de buscar no Google as expressões “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”. Outra busca mencionada é “Bolsonaro mandou matar Lula”. O texto lembra que o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal, divulgou num post no X o plano que chamou de “a estratégia que decidirá as eleições”: todo dia, um termo novo seria buscado por muita gente ao mesmo tempo, com hashtags correspondentes empurradas no X.
Na avaliação da campanha, isso inverte a lógica do interesse genuíno. “O que o canal faz é o inverso: não espera o interesse nascer, fabrica-o por ordem. Uma única conta emite o comando, milhares de pessoas executam ao mesmo tempo, e o algoritmo lê o comando como se fosse interesse real”, escrevem os advogados.
Meta de 7 milhões
Segundo o documento, Janones estabeleceu um novo objetivo para o canal: chegar a 7 milhões de seguidores até o meio-dia desta quarta (21). Ele disse que o espaço ficaria sem postagens enquanto a marca não fosse atingida.
O que a campanha quer do tribunal
O primeiro pedido é que a Justiça Eleitoral obrigue a Meta, dona do WhatsApp, do Facebook e do Instagram, a contar o que fez diante do vídeo de Janones e da circulação dele no canal, e a listar perfis e grupos que repetiram o conteúdo. O segundo atinge também Google e X: a campanha quer que as três empresas apliquem e comuniquem ao tribunal providências para identificar e frear a amplificação artificial e coordenada feita por canais de tema eleitoral.
Há, por fim, uma lista de dados sobre os anúncios de páginas pró-Lula. A campanha pede, por plataforma:
- quanto os anunciantes pagaram e quanto gastaram por dia e no total;
- quando cada anúncio foi criado, começou a circular, foi interrompido e saiu do ar;
- impressões, alcance, frequência e cliques registrados nos anúncios;
- que público cada anunciante escolheu como alvo e em quais regiões e perfis o anúncio de fato chegou;
- em que categoria o anúncio foi registrado e se passou por checagem como publicidade ligada a temas sociais, eleições ou política.
A disputa nas plataformas
O pedido vem depois de dias em que as duas campanhas levaram ao TSE queixas sobre o tratamento dado pelas plataformas. Na terça (20), o Conselho de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes na aplicação das regras eleitorais da empresa, e a Meta se reuniu com as duas campanhas e com o ministro Marco Aurélio Bellizze, no tribunal. A campanha de Flávio também já havia dito ao TSE que conteúdos de sua candidatura foram prejudicados nas plataformas da companhia.
O pedido protocolado na terça muda o foco da briga: em vez de discutir como a Meta trata as contas e os anúncios do próprio candidato, a campanha de Flávio quer que o tribunal examine como se organiza uma mobilização de apoiadores do adversário e quanto dinheiro foi usado para impulsionar páginas a favor dele. A base da ação é a postagem em que o próprio Janones apresentou a estratégia das buscas em massa.
Até a última atualização desta matéria, não havia manifestação pública de André Janones, da campanha de Lula ou da Meta sobre o pedido, e o TSE ainda não tinha decidido sobre ele.
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