Casas Bahia negocia empréstimo de até R$ 300 milhões para manter operações
Crédito para empresas em recuperação judicial deve sair em até três semanas, com banco credor; meta é chegar a R$ 1 bilhão.

Resumo
- A Casas Bahia negocia crédito de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões, em até três semanas.
- O dinheiro seria o primeiro de uma série de financiamentos; a meta total é de R$ 1 bilhão, para uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
- A empresa contratou Camille Faria, da Althia Partners, para conduzir a negociação com os credores.
A Casas Bahia (BHIA3) negocia um financiamento na faixa de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões, para seguir operando durante a recuperação judicial e pretende assiná-lo em até três semanas, segundo pessoas próximas à varejista ouvidas pelo jornal O Globo. As conversas estariam na reta final com um grande banco que também é credor da empresa.
Que tipo de empréstimo é esse
O financiamento é do tipo DIP, sigla do inglês debtor in possession, algo como “devedor na posse”. É uma linha de crédito criada para empresas em recuperação judicial: o dinheiro novo serve para pagar fornecedores, salários e outras despesas correntes enquanto o plano de recuperação não fica pronto. Esse tipo de crédito costuma ter prioridade de pagamento sobre dívidas antigas, o que ajuda a atrair bancos e fundos dispostos a emprestar a uma companhia em crise.
Segundo as fontes, essa seria a primeira rodada de financiamento. A empresa quer chegar a R$ 1 bilhão em dinheiro novo ao longo do processo, valor que seria usado para sustentar as operações enquanto negocia o pagamento de uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
O que travava o dinheiro
A Casas Bahia pediu recuperação judicial em agosto, e as conversas com bancos e fundos de investimento começaram desde então. Mas a liberação dos recursos estava emperrada porque a Justiça ainda não tinha aceitado o pedido de reestruturação. Na quarta-feira (21), a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, responsável pelo caso na 2ª Vara de Falências, em São Paulo, deu andamento ao pedido. Com a decisão, a expectativa é que os acordos de crédito avancem.
Quem vai negociar com os credores
Na sexta-feira (23), a rede anunciou a contratação de Camille Faria, sócia da consultoria Althia Partners, que atua em reestruturações de empresas em dificuldade. Ela ficará à frente das conversas com os credores e da montagem do plano. No currículo, tem o trabalho na reorganização da Oi e a condução da recuperação da Americanas, onde também ocupou as diretorias financeira e de relações com investidores depois de a fraude contábil vir a público.
O que acontece agora
A aprovação do processamento é o primeiro passo formal de uma recuperação judicial. A partir dela, a empresa passa a ter um prazo para apresentar o plano de pagamento aos credores, que depois precisa ser votado. Até lá, o caixa é o ponto sensível da empresa, e é por isso que o empréstimo DIP está no centro da negociação.
Para quem compra ou trabalha na rede, a recuperação judicial não fecha as lojas nem suspende as vendas por si só: a empresa segue funcionando enquanto negocia com os credores. O que o crédito novo busca garantir é justamente que as portas continuem abertas durante o processo, que costuma levar meses.
Outro caso no mercado
O movimento da Casas Bahia não é isolado. O GPA, dono do Pão de Açúcar, também recorreu a uma recuperação extrajudicial, mecanismo que levou a B3 a bloquear títulos da companhia por até 60 dias. A recuperação extrajudicial é um acordo negociado diretamente com os credores, sem a mesma tramitação de um processo judicial completo. No caso da Casas Bahia, as informações sobre o banco e as condições do empréstimo ainda não foram divulgadas, e os valores citados dependem de acordo final entre as partes.
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