Justiça Federal do Rio torna réus 12 ex-executivos da Americanas
Denúncia do MPF sobre a fraude contábil que levou a varejista à recuperação judicial foi aceita; a empresa se diz vítima.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e transformou em réus 12 ex-executivos da Americanas, acusados de participar da fraude contábil que levou a varejista a pedir recuperação judicial. A decisão é da 6ª Vara Federal Criminal e passou a ser conhecida nesta sexta-feira (16).
Aceitar a denúncia significa que o juiz entendeu haver elementos suficientes para abrir a ação penal. Não é condenação: a partir de agora, os acusados respondem formalmente ao processo e têm o direito de apresentar defesa. O caso tramita em segredo de Justiça, e as informações públicas até agora não trazem a lista dos 12 réus nem as penas que podem enfrentar.
O que o MPF apontou
A denúncia foi apresentada em 2025 e atingia 13 ex-funcionários da companhia. Um deles, Márcio Cruz Meirelles, fechou depois um acordo de colaboração premiada, e por isso não está entre os 12 que se tornam réus agora. O processo é um desdobramento das investigações sobre as inconsistências contábeis que a empresa revelou em janeiro de 2023 e que deram origem à Operação Disclosure.
A investigação apura se executivos e funcionários da época mascararam resultados e informações financeiras da empresa. A reportagem usada como base não detalha quais crimes constam da denúncia nem o papel de cada réu, e o sigilo do processo impede a conferência desses pontos.
A resposta da Americanas
Em nota divulgada nesta sexta, a Americanas afirmou ter sido vítima de uma “fraude estruturada e de natureza dolosa” cometida por ex-executivos. Segundo a empresa, eles manipularam controles internos, registros contábeis e informações relevantes ao mercado, em violação aos deveres que tinham pelos cargos que ocupavam e à legislação do mercado de capitais.
A companhia disse ainda que não teve acesso à decisão judicial e que confia na Justiça e no trabalho das autoridades para que os responsáveis pela fraude de resultados sejam responsabilizados. Nos textos publicados até a noite desta sexta, não havia manifestação das defesas dos ex-executivos.
Como o caso começou
Em janeiro de 2023, a Americanas informou ao mercado que havia encontrado inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões em seus balanços. O anúncio derrubou as ações da empresa em poucos dias, o então presidente da companhia deixou o cargo, e a rede pediu recuperação judicial, com dívidas na casa das dezenas de bilhões de reais. Desde então, o rombo foi reestimado e passou a ser citado, em reportagens, na faixa de R$ 25 bilhões.
O episódio virou um dos maiores escândalos contábeis da história do mercado brasileiro. Além da esfera criminal, a companhia enfrenta processos de acionistas e credores, investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a negociação com credores dentro da recuperação judicial.
O que acontece agora
Com a denúncia aceita, o próximo passo é a citação dos réus, que terão prazo para apresentar defesa por escrito. Em seguida, o juiz decide se há motivo para absolvição sumária ou se o processo segue para a fase de instrução, com a escuta de testemunhas e dos próprios acusados, antes da sentença.
Para quem tem relação com a empresa, a decisão não muda de imediato o dia a dia das lojas nem o andamento da recuperação judicial, que corre em outro processo. O efeito mais direto é jurídico: a ação penal contra os ex-executivos apontados pelo MPF passa a existir formalmente e segue seu rito até uma eventual sentença.
Também nesta sexta, a Folha noticiou que o conselho de classe confirmou a cassação do registro de uma ex-contadora da companhia, outro desdobramento do escândalo.
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