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Varejo

Ri Happy aciona a Justiça para renegociar dívida de R$ 827 milhões

Maior rede de brinquedos do país diz que juros altos, queda nas vendas e concorrência asiática travaram o pagamento do passivo.

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Fachada vermelha de uma loja da Ri Happy em shopping, com letreiro colorido, arco de balões e a mascote ao lado da entrada
Foto de arquivo: Loja da Ri Happy em shoppingFoto: Izabella Galhardo (CC0)

A Ri Happy, rede de varejo de brinquedos conhecida por muitos brasileiros desde a infância, pediu à Justiça a homologação de um plano de recuperação extrajudicial, com o objetivo de reestruturar passivos que superam R$ 827,4 milhões. O documento foi protocolado no domingo (18), na vara especializada em falências e recuperações do Fórum Central da capital paulista, e abrange também outras empresas do grupo.

O que é o pedido

A recuperação extrajudicial é um caminho em que a empresa negocia com os credores um plano de pagamento e depois pede à Justiça que o homologue, sem passar pelo processo mais amplo da recuperação judicial. Na lista de requerentes estão a PBKids Brinquedos, a Partout Administração de Franquias e Bens, a News Toys, a Brincar Marcas e Participações e a DRH Casa de Festa. A controladora do grupo é a gestora BluSun Capital Partners.

Segundo o documento apresentado, a Ri Happy passa pela “necessidade de reestruturação ordenada de seu passivo”, diante de um conjunto de fatores econômicos, financeiros e de mercado que afetaram a operação e a capacidade de honrar a dívida.

As razões apresentadas

A empresa atribui a crise, primeiro, à pandemia de Covid-19, que teria causado um “descompasso severo” na estrutura financeira do varejo, com restrições às lojas físicas. Também cita alavancagem financeira, juros altos e menos crédito para os consumidores.

O grupo lembra que, em agosto de 2023, já havia renegociado R$ 292 milhões do endividamento bancário. Depois disso, a alta da Selic, que chegou a 15% em junho de 2025, encareceu os financiamentos, inclusive a dívida alongada em 2023. Hoje, de acordo com o pedido, o serviço da dívida, de cerca de R$ 70 milhões por ano, é incompatível com o plano de negócios.

O endividamento das famílias também pesou. A combinação de crédito mais caro e restrito com orçamentos apertados enfraqueceu as vendas, e a empresa cita dados da Scanntech segundo os quais as vendas de brinquedos recuaram 15,5% em 2024.

Outra queixa é a concorrência de produtos asiáticos, que chegam mais baratos por plataformas como Shopee e AliExpress, além da carga tributária.

Tamanho da operação

A Ri Happy nasceu em 1998, com a primeira loja inaugurada em São Paulo. Hoje são 204 lojas próprias e 88 franquias, com mais de 2,6 mil empregos diretos. Em média, o grupo registra R$ 1,2 bilhão de receita líquida por ano.

O negócio se divide entre a Ri Happy e a PBKids, que cuidam do varejo físico e digital; a Partout, que administra as franquias; a News Toys, de importação e distribuição; a Brincar, dona das principais marcas; e a Divertudo, que cuida da recreação infantil e dos espaços de festa ligados às lojas.

Em 2018, já sob controle de um fundo de investimento, a companhia deu início ao registro para abrir capital na CVM, mas a oferta foi suspensa pela instabilidade do mercado e pela desconfiança em relação ao varejo.

Próximos passos

O pedido ainda precisa ser analisado pela Justiça e, para valer, depende da homologação do plano.

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