Alberta rejeita caminho para a separação e fica no Canadá, diz apuração
Cerca de três em cada quatro eleitores da província votaram pela permanência; Carney celebrou o resultado.

Os eleitores de Alberta, a província do oeste canadense que concentra a maior parte do petróleo do país, decidiram que ela deve continuar no Canadá. Na consulta popular de segunda-feira (19), cerca de 76% votaram pela permanência, e perto de 24% escolheram a alternativa que abriria o processo para um referendo vinculante sobre a independência, de acordo com a contagem preliminar publicada pela Elections Alberta, o órgão eleitoral da província, na madrugada desta terça (20).
A votação não decidia a separação em si. A pergunta feita ao eleitor era se Alberta deveria seguir como província do Canadá ou se o governo local deveria iniciar o caminho legal previsto na Constituição canadense para uma futura consulta, essa sim com efeito obrigatório, sobre deixar o país. Com a vitória folgada da primeira opção, esse caminho fica fechado.
O que disseram os governantes
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, comemorou o resultado em mensagem publicada no X logo depois da apuração. Ele afirmou que os albertanos e o resto dos canadenses vão “seguir em frente juntos, com propósito renovado e grande ambição”.
A premiê de Alberta, Danielle Smith, que havia convocado a consulta em maio, também celebrou. Segundo ela, os números iniciais mostram “amplo apoio” à permanência, e os eleitores escolheram “uma Alberta mais forte em um Canadá unido”.
Do lado do movimento pela unidade, o ex-político albertano Thomas Lukaszuk, fundador do grupo Forever Canadian, disse a apoiadores que o recado era direto para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: “O Canadá não está à venda”.
Por que houve a consulta
A independência de Alberta é uma bandeira antiga de uma minoria na província, que tem território de tamanho parecido com o do Texas. O tema ganhou força depois que o Partido Liberal, de Carney, venceu a eleição federal de 2025, em plena guerra comercial com os Estados Unidos, marcada por tarifas e por falas de Trump sobre anexar o Canadá.
Nos últimos dois anos, líderes separatistas se reuniram em Washington com integrantes do governo americano em busca de apoio, o que foi chamado de “traição” por políticos canadenses. Antes da votação, também houve preocupação com interferência estrangeira, depois de relatos de que estrategistas do Partido Republicano ajudaram a campanha pela saída.
Foi a primeira consulta desse tipo no Canadá desde 1995, quando Quebec, a província de maioria francófona, rejeitou a separação por diferença mínima de votos. Desta vez, a margem foi larga: três em cada quatro eleitores ficaram com o Canadá.
O que acontece agora
Os números ainda são preliminares e serão confirmados pela Elections Alberta nos próximos dias. Com o resultado, o governo de Alberta não tem mandato para pedir a reforma constitucional necessária a uma nova votação sobre a independência, e a pauta separatista perde fôlego no momento em que o país negocia com os Estados Unidos o fim da disputa comercial.
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