SP chega ao 12º corpo em 47 dias; polícia diz não haver sinal de serial killer
Dois corpos apareceram nesta quarta na Zona Norte; DHPP investiga caso a caso e cita 'tribunal do crime' como hipótese.

Resumo
- A polícia investiga o 12º corpo encontrado na capital paulista entre 5 de setembro e 21 de outubro.
- Dois achados foram na Zona Norte nesta quarta: uma mulher esquartejada na Marginal Tietê e um cadáver em mata no Tremembé.
- Polícia Civil diz que não há evidência de ligação entre os casos nem de serial killer; apura papel do 'tribunal do crime'.
Mais dois cadáveres apareceram na Zona Norte de São Paulo nesta quarta-feira (21). Com eles, a Polícia Civil investiga 12 corpos encontrados na capital desde 5 de setembro, ou seja, uma média de um achado a cada quatro dias. Em nota, a corporação afirmou que cada ocorrência é apurada separadamente e que, até agora, “não há elementos que indiquem ligação entre as ocorrências ou uma mesma autoria”.
Os achados desta quarta
O primeiro achado do dia foi feito por PMs: partes do corpo de uma mulher, incluindo a cabeça, estavam em sacos pretos próximos à Marginal Tietê. Ela ainda não havia sido identificada. Um homem foi morto em confronto com policiais perto do local, e os investigadores checam se há ligação com o crime; feminicídio é a linha principal.
Por volta do meio-dia, policiais militares encontraram um segundo corpo, já bastante decomposto, em um trecho de mata da Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, no Tremembé. Em nota, a Prefeitura disse que a pessoa não foi identificada, que a ocorrência virou registro de morte suspeita e que o cadáver seguiu para o Instituto Médico Legal (IML).
O que dizem as autoridades
A sequência de ocorrências viralizou nas redes sociais e alimentou boatos sobre um suposto assassino em série na cidade. O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, e Ivalda Aleixo, diretora do departamento estadual de homicídios (DHPP), vieram a público para rebater essa ideia. “Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo”, disse a delegada em vídeo publicado em sua rede social em 7 de outubro. Ela pediu que os casos reais não sejam transformados “em uma série de terror” e afirmou que os boatos “provocam medo, confundem a população e também atingem as famílias que ainda aguardam respostas” sobre desaparecidos.
Hipótese do ‘tribunal do crime’
Na avaliação da polícia, a maioria dos casos são homicídios em situações diferentes, e alguns podem ter relação com o chamado “tribunal do crime”, o sistema clandestino de punições que facções aplicam a quem é acusado de quebrar suas regras, e que pode terminar em agressões e execuções. Parte das vítimas tinha passagens anteriores pela polícia, e os investigadores não excluem a participação do PCC e de outros grupos.
A Polícia Civil também ressalta que o uso de sacos plásticos ou de tecidos em alguns casos, “isoladamente, não permite estabelecer relação entre as ocorrências”.
O balanço dos casos
Os corpos foram achados em condições variadas: dentro de sacos, envoltos em cobertas, esquartejados, decapitados, com as mãos atadas, com sinais de tiros ou carbonizados. Pelo levantamento, a Zona Leste concentra cinco ocorrências, a Zona Sul três, a Zona Norte três (incluindo as duas desta quarta) e a Zona Oeste uma; o Centro não registrou nenhuma. Das vítimas, oito já foram identificadas, sendo sete homens e uma mulher, e a Justiça decretou a prisão de ao menos três suspeitos a pedido da polícia.
Somando os corpos encontrados em toda a região metropolitana, o total chega a 17 no último mês.
Cronologia resumida
O primeiro caso do levantamento é de 5 de setembro: um homem amarrado e dentro de um saco plástico, no Jabaquara, Zona Sul. Em 10 de setembro, outro homem apareceu na Zona Leste e uma mulher com marcas de tiros foi achada no Jardim Marabá. Em 19 de setembro, um homem decapitado e esquartejado foi encontrado num barranco no Jaçanã. Em 27 de setembro, uma cabeça humana foi localizada numa praça do Jardim São Luís. Em 2 de outubro, um corpo com braços e pernas amarrados foi achado em área de mata perto do Parque Ecológico do Tietê, e em 12 de outubro outro foi encontrado no Belenzinho.
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