Paraná pede afastamento da direção de colégio de Cambé por câmera em banheiro
Polícia Civil abriu inquérito no Colégio Érico Veríssimo; resolução proíbe câmeras em banheiros e vestiários escolares.

Resumo
- Secretaria da Educação do Paraná pede o afastamento da direção do colégio cívico-militar Érico Veríssimo, em Cambé.
- Uma câmera foi achada no banheiro feminino na segunda (19); a Polícia Civil instaurou inquérito e apreendeu o equipamento.
- A escola nega captar imagens de dentro das cabines; uma resolução passa a proibir câmeras em banheiros e vestiários.
O governo do Paraná quer tirar do cargo a direção de um colégio cívico-militar de Cambé, no Norte do estado. A SEED-PR, como é chamada a pasta da Educação, fez o pedido nesta quarta-feira (21) em relação ao Colégio Estadual Érico Veríssimo, dois dias após uma estudante achar uma câmera no banheiro das meninas. A Polícia Civil abriu inquérito e levou o equipamento.
Como o caso veio à tona
O aparelho foi descoberto na segunda-feira (19) por uma estudante. No boletim de ocorrência registrado pelas alunas, elas relatam que a câmera estava no local havia cerca de três anos e que, na época, a direção dizia ser um detector de fumaça, para impedir que alunos fumassem ali.
Depois do achado, outro aluno fotografou o painel do sistema de monitoramento do colégio. As fotos mostram imagens gravadas pelo sistema, com as cabines e os espelhos dos sanitários, entre eles o masculino. As câmeras instaladas em outros espaços da escola têm formato diferente e ficam expostas.
O que dizem a escola e a Secretaria
O colégio confirmou a instalação das câmeras, mas nega que elas captassem o interior das cabines. Segundo a instituição, as lentes apontavam para as entradas dos dois banheiros, o masculino e o feminino, sem alcançar os locais de uso dos sanitários.
A Secretaria informou, em nota, que não localizou câmeras dentro dos banheiros nesta quarta e que criou uma comissão para apurar os fatos. As alunas contam, ainda, que as famílias nunca assinaram um documento autorizando esse tipo de gravação.
Vistoria e inquérito
Na quarta, policiais civis e representantes da Secretaria percorreram o colégio. A câmera, que uma jovem tinha guardado, foi apreendida. A equipe buscava ainda uma segunda câmera e o aparelho onde as imagens ficavam salvas, sem confirmação de que tenham sido achados. Em nota, a polícia diz ter aberto inquérito e estar em diligências para esclarecer o caso.
Resolução proíbe câmeras em banheiros
O secretário de Educação, Roni Miranda, assinou uma resolução que impede câmeras em banheiros e vestiários de qualquer ambiente escolar do estado. “É uma questão óbvia de não colocar câmera dentro do banheiro, já temos leis federais sobre isso, mas também publiquei uma resolução. A partir disso, está proibida, em qualquer ambiente escolar, que tenha banheiros ou vestiários, a colocação de câmeras”, afirmou.
O que acontece agora
A Polícia Civil segue com as diligências do inquérito, e a comissão criada pela Secretaria conduz uma apuração própria. O que o sistema registrava dentro dos banheiros é o ponto em que a versão do colégio diverge da das alunas, e a segunda câmera e o aparelho de gravação, se localizados, podem esclarecer a divergência.
O site não identifica as estudantes que registraram a ocorrência.
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