Quarto condenado pela morte de Mãe Bernadete pega 23 anos de prisão em Salvador
Sérgio Ferreira de Jesus foi julgado pelo júri nesta quarta; outros dois envolvidos no crime ainda serão levados a julgamento.

Resumo
- Sérgio Ferreira de Jesus pegou 23 anos de prisão, em Salvador, pela morte de Mãe Bernadete.
- Ele é apontado como um dos planejadores e como o receptador dos celulares roubados da vítima e de familiares.
- Quatro envolvidos já foram condenados; outros dois ainda serão julgados, sem data marcada.
Mais um réu pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete ouviu a sentença. Sérgio Ferreira de Jesus recebeu pena de 23 anos de prisão do júri popular, nesta quarta-feira (21), em Salvador. O julgamento foi no Fórum Ruy Barbosa, em Nazaré.
A investigação aponta que Sérgio ficou com os aparelhos celulares levados da vítima e de parentes dela na data do assassinato. Para os investigadores, ele é também um dos idealizadores da morte, que teria sido motivada por uma desavença com a líder religiosa. De acordo com a apuração, foi ele quem indicou aos executores o melhor caminho até a casa de Bernadete.
O crime
A morte de Bernadete Pacífico ocorreu em agosto de 2023, em Simões Filho, município da Grande Salvador, dentro do quilombo Pitanga dos Palmares, onde ela vivia. Ela estava em casa com três netos quando dois homens de capacete invadiram o imóvel, mandaram os jovens saírem da sala e atiraram 25 vezes contra ela.
O inquérito da Polícia Civil concluiu que a morte foi encomendada por um chefe do tráfico da região, incomodado com a oposição que a líder fazia às atividades do grupo. Com a sentença desta quarta, são quatro os condenados. Outros dois ainda irão a júri.
O que se sabe sobre cada um
- Mandante: Marílio dos Santos, apontado como chefe do tráfico local, foi condenado em 14 de abril de 2026 a 29 anos e 9 meses por homicídio qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima) e por usar arma de uso restrito. Era foragido, mas foi julgado porque havia advogado constituído. Dois dias depois, morreu baleado num confronto com a PM, em área rural de Catu, município a uns 100 quilômetros da capital baiana.
- Executor: um dos apontados como autores dos tiros recebeu, no mesmo dia do julgamento de Marílio, pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias, também por roubo. Já estava preso.
- Josevan Dionísio dos Santos, o “BZ” ou “Buzuim”: também apontado como executor, pegou 28 anos, inicialmente em regime fechado, em 13 de outubro de 2026. Foi capturado em setembro de 2025, dois anos depois do crime, ao render a própria companheira e dois filhos em Simões Filho.
- Sérgio Ferreira de Jesus: sentenciado agora a 23 anos. Está preso desde setembro de 2023.
Quem ainda vai a júri
Ydney Carlos dos Santos de Jesus, o Café, é apontado pela investigação como uma das lideranças do tráfico e como parte do plano. Dono de uma barraca que sediava festas ligadas à venda de drogas na área, ele teve uma discussão acalorada com Bernadete antes do crime. Foi preso em Stella Maris, bairro de Salvador, em 23 de julho de 2024, e ainda não tem data de júri.
O sexto envolvido responde por ajudar um dos executores: guardou as armas do crime e organizou a fuga dele. O julgamento também não tem data.
A ação por indenização
Em 2025, a família da líder processou a União e o governo baiano. A ação cita falhas que levaram ao assassinato e problemas posteriores. A defesa pediu R$ 11,8 milhões em indenização por danos morais aos três netos que presenciaram o crime e a uma filha de Bernadete, mãe dos meninos.
Quando foi morta, a ialorixá já era acompanhada por proteção da Polícia Militar, via Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do estado, havia no mínimo dois anos. Em fevereiro, a Procuradoria Geral do Estado comunicou o fim dos pagamentos aos familiares e afirmou que o valor é sigiloso. O caso terminou em acordo administrativo. Para o filho da ialorixá, Jurandy Pacífico, a ação tem caráter protetivo, além de simbólico.
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