Polícia Civil do RS indicia torcedor do Grêmio por racismo no Gre-Nal 455
Homem de 32 anos, que imitou um macaco para a torcida do Inter na Arena, também responde por submeter o filho a constrangimento; delegado rejeita a tese de 'gesto infeliz'

O torcedor gremista Leonardo Soares Conceição, de 32 anos, foi indiciado por dois crimes pela Polícia Civil gaúcha, que encerrou nesta sexta-feira (16) a investigação sobre o gesto racista feito no Gre-Nal 455. Vídeos gravados com celular mostram o homem, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, imitando um macaco na direção dos torcedores do Internacional.
Os dois crimes
O primeiro enquadramento é o de racismo em contexto de atividade esportiva, previsto no artigo 20, parágrafo 2º-A, da Lei 7.716/1989. Quem é condenado por esse crime pode pegar de dois a cinco anos de reclusão e fica três anos sem poder entrar em estádios, arenas e espaços de eventos culturais.
O segundo é o crime de submeter criança a vexame ou constrangimento, previsto no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo a polícia, o filho dele estava ao lado, sob seus cuidados, no momento do gesto. Esse crime prevê de seis meses a dois anos de detenção.
A polícia ainda pediu à Justiça que ele seja impedido, de forma cautelar, de ir a jogos de futebol pelos próximos 12 meses. A decisão sobre o pedido cabe ao Judiciário.
O que disse o investigado
Na quarta-feira (14), o torcedor prestou depoimento à polícia acompanhado do advogado Lucas Bianchi. Segundo o advogado, o cliente afirmou que não teve intenção de ser racista e que fez um “gesto infeliz” depois de ser provocado com ofensas de cunho homofóbico.
O delegado Vinícius Nahan, que conduziu a investigação, não aceitou a explicação. Para ele, as teses apresentadas no interrogatório não se sustentam, porque há muito tempo não se admite que a palavra “macaco” e o gesto sejam usados como provocação contra a torcida do Internacional.
A reação do Grêmio
Na terça-feira (13), o Grêmio divulgou nota informando que o autor do gesto é sócio-torcedor da categoria diamante. O clube o suspendeu preventivamente do quadro social e o impediu de frequentar a Arena. O clube repassou os dados do torcedor à polícia e ao Conselho Deliberativo, que deve analisar o caso na Comissão de Ética e Disciplina.
O que acontece agora
Com o fim do inquérito, o material segue para o Ministério Público, que decide se oferece denúncia à Justiça. Só depois de uma eventual denúncia, aceita por um juiz, é que o torcedor passa a ser réu em ação penal, na qual terá direito de apresentar sua defesa. O indiciamento é a conclusão da investigação policial e não significa condenação.
O caso reforça a atenção sobre episódios de racismo em estádios brasileiros. A lei que trata do racismo em eventos esportivos prevê, além da pena de prisão, o impedimento de acompanhar jogos, medida que busca afastar do estádio quem comete esse tipo de crime.
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