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Estados Unidos

EUA enviam cerca de 600 soldados à América Latina para combater o narcotráfico

Segundo o New York Times, militares seguem para centro de treino em selva e para a Colômbia e Honduras; drones e novo comando em Miami fazem parte do plano.

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Pete Hegseth, de camisa clara, gravata listrada azul e vermelha e calça azul, caminha sorrindo em um palco com painel vermelho e branco ao fundo
Foto de arquivo: Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados UnidosFoto: Gage Skidmore (CC BY-SA 4.0)

Washington está pondo mais militares na América Latina, e a explicação oficial é o combate ao tráfico de drogas. O New York Times revelou na quarta-feira (14) que o Pentágono mandará centenas de soldados ao continente, o que o jornal descreve como um novo capítulo da política de Donald Trump para a região.

Quem está sendo enviado e para onde

O jornal conta que já partiram os primeiros de um grupo de aproximadamente 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha, unidade do Exército que fica em Fort Drum, no estado de Nova York. Eles vão primeiro para um centro de treino em área de selva, recém-criado, e depois devem fazer exercícios ao lado de policiais e militares da Colômbia e de Honduras.

Pelo discurso oficial, o objetivo é estreitar a parceria com os países vizinhos contra quadrilhas do tráfico. Fontes do governo que falaram ao jornal sem se identificar dizem que alguns militares podem ajudar as forças especiais dos EUA que já orientam exércitos locais em ações contra grupos apontados como narcotraficantes.

Drones e novo comando

O reforço vai além dos soldados. Drones de vigilância MQ-9 Reaper que operavam na África serão levados para a Colômbia e o Equador, e será criado em Miami um comando voltado ao Hemisfério Ocidental, para onde centenas de militares serão transferidos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também montou um escritório para supervisionar as ações contra os cartéis.

O general Francis L. Donovan, comandante responsável por boa parte da América Latina, disse que os Estados Unidos pretendem ir além das operações marítimas feitas até agora contra embarcações suspeitas de carregar drogas.

Uma coalizão com adesão desigual

A Casa Branca tenta formar uma coalizão regional contra os cartéis. Segundo o jornal, 19 países integram a aliança liderada por Washington, mas só alguns aceitaram oficialmente operações conjuntas em seu território, entre eles Colômbia e Honduras. Numa viagem em agosto, Hegseth declarou que Colômbia, Guatemala e Honduras aceitaram receber operações militares conjuntas; a Guatemala negou o acordo. Em março, líderes de 12 países latino-americanos estiveram com Trump na Flórida, na cúpula do Escudo das Américas.

Campanha anterior e críticas

O novo grupo de trabalho continua uma ofensiva que os EUA começaram havia aproximadamente um ano, no Caribe e no leste do Pacífico. Pelos números do governo americano, foram 71 ataques a embarcações suspeitas e 239 mortos; Washington diz que eles traficavam drogas, mas não apresentou provas. Especialistas afirmam que as operações tiveram efeito pequeno sobre a oferta de cocaína, já que lideranças de grupos criminosos são rapidamente substituídas.

O New York Times registra que até dentro do governo americano há quem critique a ausência de metas bem definidas para a operação. Há ainda o temor de que um ataque contra militares dos EUA leve a uma escalada, num momento em que as Forças Armadas já enfrentam pressão por compromissos no exterior, como a guerra contra o Irã.

Preocupação na região

A perspectiva de uma presença mais forte dos Estados Unidos desperta apreensão em parte da América Latina, que tem um histórico longo de intervenções americanas, muitas vezes vistas como violação de soberania. Organizações de direitos humanos alertam para o risco de mais vítimas civis.

Por enquanto, o envio é temporário. Autoridades americanas ouvidas pelo jornal admitem, no entanto, que as rotações de tropas podem se tornar permanentes.

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