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Meta tira do ar vídeo de MC Cabelinho sobre Flávio e cita regra eleitoral de IA

Empresa diz que restringe conteúdo feito ou alterado por inteligência artificial até as 23h59 de segunda (26); Revelando recorreu.

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MC Cabelinho, de cabelo descolorido, regata branca e correntes douradas, fala em um estúdio de TV
Foto de arquivo: MC Cabelinho em entrevista no MultishowFoto: Humor Multishow (CC BY 3.0)

Resumo

  • A Meta removeu do Instagram um vídeo de MC Cabelinho e do portal Revelando sobre Flávio Bolsonaro.
  • A empresa diz restringir, no 2º turno, conteúdo gerado ou alterado por IA, mesmo o editado em apps.
  • O Revelando recorreu; a restrição vale até as 23h59 de segunda-feira (26).

O Instagram, plataforma da Meta, removeu nesta quinta-feira (22) um vídeo em que o cantor MC Cabelinho e o portal Revelando falam de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Segundo a empresa, a decisão segue a norma eleitoral que limita material criado ou modificado com inteligência artificial (IA). O caso ocorre a três dias do segundo turno e dois dias depois de a plataforma responder ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as medidas adotadas para o período.

O que foi removido

O vídeo original abordava a acusação de que Flávio teria sido funcionário fantasma no gabinete de Jair Bolsonaro, seu pai, aos 19 anos. Num print da publicação, é possível ver, no canto superior direito, um rótulo que a classifica como conteúdo de IA. Por volta das 14h, o Revelando voltou ao assunto em uma nova postagem, que continua no ar.

MC Cabelinho reagiu em seu perfil no Instagram: “Tropa, derrubaram meu reels (Revelando) mas o episódio continua no YouTube…. no link do story vocês consegue ver! ql foi @meta?”. O Revelando também publicou, nos stories, relatos de indignação com a decisão. Os atores Fabio Porchat e Gregório Duvivier, que contestaram o argumento de que o material seria propaganda eleitoral, também se manifestaram contra a retirada. O Revelando informou que apresentou recurso para tentar restabelecer o vídeo.

A explicação da Meta

Em nota, a empresa afirmou: “Em conformidade com a resolução aplicável às eleições gerais de 2026, restringimos conteúdos gerados ou alterados por IA nas 72 horas antes da votação, no dia da eleição e no dia seguinte”.

A Meta explica que, no segundo turno, a limitação vale desde a meia-noite desta quinta (22) e se estende até 23h59 de segunda (26), pelo horário de Brasília. A empresa acrescentou que o bloqueio também pode alcançar arquivos editados em aplicativos que usam recursos de IA, mesmo quando quem publica não percebe que a tecnologia foi empregada.

“Vale reforçar que muitos aplicativos de edição de imagem, vídeo e áudio usam recursos de IA e incorporam ao arquivo um sinal padrão da indústria indicando esse uso. A Meta lê esses sinais automaticamente e, para cumprir a determinação, indisponibiliza esses conteúdos no Brasil”, declarou a companhia. Ainda conforme a empresa, o material só reaparece no Brasil quando o prazo determinado pelo TSE terminar.

O pano de fundo no TSE

Na segunda-feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, deu 24 horas para a Meta apresentar informações detalhadas sobre as medidas adotadas para o segundo turno. A resposta chegou na terça (20): a empresa disse ter cumprido as determinações da Corte e afirmou que uma declaração técnica anexada ao processo “atesta que os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória”, além de descrever o mecanismo que garante essa isonomia.

No dia 15 de outubro, o TSE já tinha mandado a Meta não diminuir o alcance, a indicação ou a busca de conteúdo político ligado aos dois concorrentes: Lula (PT), que busca a reeleição, e Flávio. A ordem veio após pedido da campanha do presidente, que acusava a rede de falhas repetidas na entrega de suas postagens.

Os aliados de Lula citaram ainda um comportamento diferente na ferramenta de IA da empresa: de acordo com a ação, ela criava imagens ligadas a Flávio, mas não a Lula. Do lado do senador, a campanha também disse ter sofrido prejuízo em seus conteúdos.

O que muda para quem publica

Pelo que a empresa informa, vídeo, imagem ou áudio que carregue o sinal padrão de IA no arquivo pode ser bloqueado no Brasil até o fim da restrição, ainda que quem publicou não tenha percebido que o aplicativo de edição usou o recurso. A Meta diz que o material volta a ficar visível quando o período acabar. O Revelando recorreu da decisão, e o episódio com MC Cabelinho continua disponível no YouTube, segundo o próprio cantor.

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