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Eleições 2026

Centenas protestam em São Paulo contra a Meta e cobram neutralidade na eleição

Ato na zona oeste levou o lema "Meta, não se meta"; empresa nega favorecimento e culpa excesso de regras eleitorais.

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Manifestantes erguem cartazes com os dizeres Fora Meta, Soberania digital e Fim da censura digital durante ato em São Paulo
Manifestantes com cartazes contra a Meta em protesto na zona oeste de São PauloFoto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Centenas de manifestantes se reuniram perto dos escritórios das duas big techs Meta e Google, no lado oeste da capital paulista, no início da noite desta segunda-feira (19), para cobrar que a dona de Facebook, Instagram e WhatsApp trate de forma neutra o debate político em plena reta final do segundo turno. O ato tinha como lema “Meta, não se meta”.

Os participantes reclamaram de censura a ativistas nas redes, de falta de isonomia na moderação de conteúdos e de decisões que, na avaliação deles, atendem a interesses próprios da empresa na gestão de publicações e comunidades.

Manifesto não foi aceito

As entidades organizadoras tentaram entregar um manifesto à Meta. Segundo elas, a empresa não permitiu o protocolo do documento. A solução foi anunciar que o texto será enviado digitalmente, em uma ação de massa.

A programadora Veronica Gimenez, uma das organizadoras do ato pela ONG TravaHacker, resumiu o pedido: “O nosso pedido é por algo que deveria ser básico, pois ferramentas como essa acabam por sustentar todo um debate público. A gente pede que seja mais transparente, a gente pede que tenha lugares para monitorar e pessoas possam acompanhar, e que haja relatórios sobre o que eles estão fazendo”. Ela acrescentou que esse não é o primeiro documento enviado à companhia, “e não será o último”.

Soberania digital e minorias

Nos discursos, a soberania digital e popular foi tema recorrente, junto com críticas ao fato de gigantes de tecnologia participarem da gestão de sistemas do governo. Alguns manifestantes ainda disseram que a plataforma protege pouco as minorias, que seus algoritmos favorecem discurso de ódio e que conteúdos de direita recebem mais impulso.

O ativista Thiago Torres Santos, o Chavoso da USP, contou que foi banido da plataforma mesmo com ordem judicial favorável: “Fui banido, mesmo com ordem judicial favorável. Há 11 meses eles (Meta) não cumprem a liminar, desrespeitam as decisões do nosso sistema legal. Essas plataformas estão influenciando nas eleições de nosso país, essas empresas têm lado e não é o lado do povo”.

O que a Justiça Eleitoral já pediu à empresa

O protesto ocorre no meio de uma disputa que já chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na semana passada, a corte acolheu requerimento da campanha de Lula (PT), candidato à reeleição, que quer que a empresa esclareça números indicando que posts do campo petista perdem alcance enquanto os do adversário ganham destaque, o que violaria a lei eleitoral. A campanha também reclama de possível desigualdade nos anúncios pagos.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, também recorreu ao TSE com queixa semelhante. Nesta segunda, o ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze fixou prazo de um dia para a Meta demonstrar que adotou medidas de isonomia tanto na circulação de publicações políticas quanto nos anúncios de campanha. O assunto já havia sido tratado em Bellizze dá 24 horas à Meta para provar que tratou Lula e Flávio igualmente.

A resposta da Meta

Em nota, a Meta atribuiu os problemas na criação de conteúdo e no acesso a comunidades e grupos ao grande número de regras eleitorais e à lentidão natural da checagem e da liberação das publicações. A empresa não atribuiu o problema a um tratamento diferente entre candidatos.

O que muda para o leitor

Até o fim do segundo turno, no domingo (25), a distribuição de conteúdo político nas plataformas fica sob vigilância da Justiça Eleitoral e de órgãos como a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que deu cinco dias para a Meta explicar bloqueios de contas e posts apagados, conforme a matéria ANPD dá cinco dias para a Meta explicar bloqueio de contas e posts apagados. Para o eleitor, a disputa mostra que o alcance do que se vê no feed passou a ser tema central da campanha, e as respostas que a empresa der ao TSE nos próximos dias devem indicar se há ou não tratamento desigual.

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