EA fecha a BioWare e cancela o novo Mass Effect em corte de 400 vagas
Estúdio de Dragon Age e Knights of the Old Republic encerra 31 anos de história; 50 dos cortes são na BioWare, que fica sem equipe.

Resumo
- A Electronic Arts fechou a BioWare e encerrou o desenvolvimento do próximo Mass Effect.
- A empresa corta cerca de 400 vagas, em torno de 3% da equipe; 50 delas eram da BioWare.
- O estúdio canadense foi fundado em 1995 e pertencia à EA desde 2007.
A Electronic Arts (EA) decidiu fechar a BioWare, um dos estúdios mais queridos da indústria de videogames, e interromper o desenvolvimento do próximo jogo da série Mass Effect. O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira (21) no perfil oficial do próprio estúdio, nas redes sociais, e veio acompanhado de um novo corte de pessoal na empresa.
“Depois de mais de três décadas de aventuras compartilhadas, a BioWare está fechando e o desenvolvimento inicial do próximo projeto de Mass Effect está sendo encerrado”, dizia a mensagem de despedida, publicada poucos minutos depois de a notícia dos cortes se espalhar entre jornalistas especializados. O texto agradece aos jogadores: “Estes jogos se tornaram muito mais do que isso porque vocês os jogaram, debateram suas escolhas, se apaixonaram pelos personagens e fizeram destes mundos o seu mundo”.
O tamanho dos cortes
A EA planeja demitir cerca de 400 funcionários no total, o equivalente a aproximadamente 3% de toda a sua equipe. Com o fechamento da BioWare, 50 desses cargos já foram eliminados. Em mensagem enviada à equipe, os executivos da companhia afirmaram que, “em todo o portfólio”, estão fazendo “escolhas deliberadas para alinhar talento e investimento onde vemos as maiores oportunidades para os jogadores e para o crescimento de longo prazo”.
Na nota, o estúdio disse que o foco agora é a própria equipe, que “colocou o coração nesses jogos”, e que quer apoiar os colegas durante a transição. “Não há nada de fácil em escrever estas palavras”, afirmaram os responsáveis pela mensagem.
Três décadas de RPGs
A BioWare nasceu em 1995, em Edmonton, no Canadá, e ficou conhecida por jogos de interpretação de papéis (RPG) em que as escolhas do jogador mudam a história. Entre os títulos mais lembrados estão Neverwinter Nights, Star Wars: Knights of the Old Republic, a trilogia Mass Effect e a série Dragon Age. Em 2007, o estúdio foi comprado pela EA, que na época dizia contar com uma das “mais respeitadas” equipes do setor.
Nos últimos anos, porém, a trajetória foi turbulenta. Os fundadores Ray Muzyka e Greg Zeschuk deixaram a empresa em 2012, e o produtor veterano Mac Walters saiu em 2023. O diretor Casey Hudson, que havia partido em 2014, voltou em 2017 e foi embora de novo em 2020. Lançamentos como Mass Effect: Andromeda e Dragon Age: The Veilguard tiveram recepção morna entre crítica e fãs, e Anthem, a aposta do estúdio em um jogo online de tiro e mundo aberto, foi encerrado depois de um plano de reformulação ser abandonado.
O cenário na EA
O fechamento acontece num momento de mudança de controle da companhia. Em 2025, a EA foi comprada por um grupo de investidores, num negócio de US$ 55 bilhões liderado pelo fundo Silver Lake, pelo fundo soberano da Arábia Saudita (PIF) e pela Affinity Partners, de Jared Kushner. Com isso, a empresa deixou de ter ações negociadas em bolsa. Na época da operação, analistas consultados sobre o assunto previam demissões, fechamento de estúdios e venda de propriedades intelectuais, já que a empresa ficaria com dívida elevada e mais foco em jogos de serviço contínuo, em franquias esportivas anuais e em compras dentro do jogo.
O que muda para os fãs
Os jogos já lançados da BioWare continuam existindo, mas não há, por enquanto, anúncio sobre o futuro das franquias. O novo Mass Effect estava, segundo a mensagem do estúdio, em fase inicial de desenvolvimento, o que significa que nenhum lançamento estava marcado.
A decisão encerra uma das marcas mais influentes dos RPGs de console e de computador desde os anos 2000, e deixa em aberto o destino de personagens e universos que mobilizaram uma comunidade de fãs por mais de uma geração.
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