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FAA certifica o Boeing 737-10, o maior da família MAX, após seis anos de atraso

Aprovação libera as entregas nos próximos meses; fabricante tem 1.555 pedidos do modelo, de mais de 30 clientes.

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Boeing 737-10 de fuselagem branca e azul, com a marca Boeing, parado em pátio de pista sob céu nublado
Foto de arquivo: Protótipo do Boeing 737-10 com as cores da fabricanteFoto: lamblukas (CC BY 2.0)

Resumo

  • A FAA, agência de aviação dos EUA, certificou o Boeing 737-10, o maior avião da família 737 MAX.
  • O modelo tem 1.555 pedidos de mais de 30 clientes, entre eles United, Delta, American, Alaska e Ryanair.
  • As primeiras entregas devem começar nos próximos meses, com seis anos de atraso.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) concedeu na terça-feira (20) a certificação ao Boeing 737-10, o maior modelo da família 737 MAX. Com o aval, a fabricante poderá começar a entregar o avião às companhias aéreas nos próximos meses. O programa vinha sendo adiado desde 2020, quando a entrega das primeiras unidades estava prevista originalmente.

Em comunicado, a Boeing informou que mais de 30 clientes encomendaram o 737-10, num total de 1.555 aeronaves. O número equivale a mais de 30% da carteira ainda não entregue do programa MAX, que soma 7.350 pedidos, dos quais quase 2.500 já foram entregues até o fim de setembro. Entre as compradoras estão United Airlines, Delta, American Airlines, Alaska Airlines e Ryanair.

O que muda no avião

O 737-10 comporta até 230 passageiros na configuração de lotação máxima. Com duas classes de assento, deve levar de 185 a 210 pessoas e voar até 3.100 milhas náuticas, cerca de 5.740 quilômetros. A empresa afirma que o modelo tem o menor custo por assento entre os aviões de corredor único em operação e alcance 365 milhas náuticas maior que o dos concorrentes sem tanques extras. Segundo a Boeing, as melhorias tecnológicas reduzem em 20% o consumo de combustível e as emissões de CO2.

Para obter a certificação, o jato passou por um programa que, de acordo com a fabricante, somou mais de 2.000 horas de voo e 1.000 horas de testes em solo, além de dezenas de milhares de páginas de documentação. A empresa diz que o 737-10 é o primeiro avião comercial certificado em toda a extensão de uma lei americana de 2020, que passou a exigir registros mais detalhados das avaliações de segurança e dos fatores humanos na cabine.

A principal novidade de segurança é um sistema aprimorado de ângulo de ataque, o sensor que mede a inclinação do avião em relação ao fluxo de ar. Ele passará a ser padrão em toda a família 737 MAX, inclusive nos aviões que já estão em operação, que deverão ser atualizados nos próximos anos.

Por que demorou

O processo ficou mais exigente depois que dois aviões do modelo MAX 8 caíram, um em 2018 e outro em 2019, com 346 mortes no total. Em janeiro de 2024, um MAX 9 da Alaska Airlines, com poucos meses de uso, perdeu um pedaço da fuselagem em pleno voo, e a produção da Boeing passou a ser vigiada de perto. Uma falha detectada em 2023 no sistema antigelo dos motores também emperrou a análise do MAX 7 e do MAX 10. O MAX 7, o menor da família, já havia recebido o aval da FAA neste ano.

Ao final de setembro, a fabricante comunicou mais um defeito, desta vez numa atualização do software de navegação da linha 737 MAX, o que ameaçava render novos adiamentos. A FAA avaliou que o problema não oferecia risco à segurança e não exigiu a correção como condição para liberar o 737-10.

Stephanie Pope, que comanda a divisão de aviões comerciais da Boeing, afirmou que a conclusão do processo abre caminho para entregar “um avião que vai estabelecer um novo padrão na aviação comercial”. Para Chris Payne, vice-presidente do programa de desenvolvimento do 737, o rigor da campanha de testes dá confiança à equipe para a fase de entregas.

O que vem depois

Com o 737-10, a família MAX fica completa, ao lado dos modelos 737-7, 737-8, 737-8-200 e 737-9. O avião é considerado peça central na tentativa da Boeing de aumentar a entrada de caixa e se recuperar de anos de crises. A empresa ainda trabalha na certificação do 777-9, seu maior jato comercial, que acumula seis anos de atraso e cujas entregas a fabricante espera iniciar em 2027.

Ainda não há data fechada para a primeira entrega do 737-10. A Boeing diz apenas que o processo deve começar “nos próximos meses”.

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