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Tesla e SpaceX criam comitês para estudar fusão; Musk vê 'boa ideia'

Musk diz que não há acordo e que, por conflito de interesses, fica fora das discussões; ações da SpaceX subiram 8% após o balanço.

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Fachada de concreto e vidro de grande fábrica em obras, com guindastes e máquinas no terreno, sob céu azulFoguete da SpaceX em voo de teste, subindo sobre uma nuvem de fumaça rosada perto do mar
Foto de arquivo: Gigafábrica da Tesla, no TexasFotos: Larry D. Moore (CC BY 4.0) (à esq.) e Forest Katsch (CC BY-SA 4.0) (à dir.)

Resumo

  • Tesla e SpaceX criaram comitês especiais, a pedido de acionistas, para discutir uma possível fusão.
  • Elon Musk disse que a ideia seria boa, mas que os comitês ainda não fecharam acordo e podem nunca fechar.
  • A SpaceX informou receita de US$ 14,58 bilhões no 3º trimestre, alta de 161%, e primeiro lucro como empresa listada.

Elon Musk confirmou que Tesla e SpaceX, as duas companhias que ele comanda, montaram comitês especiais para analisar se vale a pena juntá-las. A declaração foi dada na terça-feira (20), em teleconferência com investidores sobre os resultados trimestrais da SpaceX. Para ele, a fusão “seria uma boa ideia”, embora nada esteja fechado.

“Acho que seria uma boa ideia, mas isso realmente depende dos comitês especiais das duas empresas”, disse. Era a primeira vez que o empresário reconhecia publicamente a existência de conversas formais sobre o assunto. Ele também deixou claro que não faz parte delas: “Como tenho conflito de interesses, não posso participar das discussões dos comitês especiais”.

Quem decide e o que falta

Os comitês reúnem conselheiros independentes e foram criados porque acionistas pediram. São os próprios acionistas que teriam de dar a palavra final sobre qualquer acordo. Musk avisou que os grupos não definiram as condições da operação e que talvez jamais definam, e por isso considera precipitado dar a fusão como certa.

Uma pessoa a par das negociações, ouvida pela Reuters sob anonimato, contou que o diálogo começou há poucas semanas e que o cenário em estudo poderia terminar com a SpaceX comprando a Tesla. Segundo essa fonte, a Tesla recorreu a um banco de investimento para assessorá-la.

A especulação não é nova. Na semana passada, o Barclays previu que o anúncio de um negócio talvez viesse ainda antes do encontro anual dos acionistas da Tesla, marcado para dezembro. O próprio Musk já havia mencionado a hipótese de unir as empresas, argumentando que as atividades de ambas se cruzam cada vez mais.

Controle em jogo

O bilionário tem cerca de 20% da Tesla e quase metade da SpaceX. Na avaliação de analistas, uma fusão o deixaria no comando da companhia formada. É por esse motivo que a análise cabe a conselheiros sem interesse pessoal: Musk está dos dois lados do balcão.

Fora do pregão regular, depois das declarações, as ações da SpaceX saltaram cerca de 8%, e as da Tesla subiram 1,8%.

O balanço da SpaceX

A teleconferência aconteceu por causa do balanço do terceiro trimestre da SpaceX, que registrou o primeiro lucro desde a abertura de capital. O faturamento foi de US$ 14,58 bilhões (cerca de R$ 73,1 bilhões), crescimento de 161% ante igual período de 2025.

A linha de inteligência artificial chamou atenção: a receita desse segmento ficou perto de dez vezes maior e atingiu US$ 7,56 bilhões (cerca de R$ 37,9 bilhões). O valor vem sobretudo do aluguel de capacidade dos data centers da SpaceX para Anthropic, Google e a startup Reflection AI, e não de modelos criados pela própria empresa.

As despesas de capital, em contrapartida, quase triplicaram e chegaram a US$ 19,6 bilhões (cerca de R$ 98,3 bilhões). Musk projetou que a receita recorrente anual da SpaceX ficará entre US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão até o final de 2027, alimentada pela procura por poder de processamento para IA.

Os chips das duas empresas

Musk citou a Terafab, sociedade entre Tesla e SpaceX para fabricar semicondutores. O primeiro chip de teste está previsto para maio ou junho de 2027, e a fabricação em escala deve começar até o terceiro trimestre de 2028, conforme o empresário.

Efeito para quem investe

Hoje não existe oferta oficial, preço nem data de votação. O que há é uma avaliação em andamento, sem garantia de resultado, e qualquer acordo ainda precisaria do aval dos acionistas de cada empresa.

O balanço sugere uma SpaceX cada vez mais parecida com um provedor de computação em nuvem, ainda que seus planos de longo prazo dependam do uso regular dos foguetes Starship e do Starlink, serviço de internet por satélite que sempre sustentou as finanças da companhia. A sobreposição de negócios, argumento que Musk já usou a favor da união, é o que os comitês terão de avaliar nas próximas semanas.

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