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Economia global

FMI pede mais apoio a países afetados por guerras e energia cara

Comitê do Fundo, reunido em Bangcoc, diz que riscos seguem negativos; o texto final não cita 'inteligência artificial'.

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Prédio-sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington
Foto de arquivo: Sede do Fundo Monetário Internacional, em WashingtonFoto: FMI (domínio público)

Os países-membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) pediram mais apoio às economias que enfrentam dificuldades de financiamento no curto prazo por causa dos reflexos das guerras e dos preços altos da energia. O pedido consta do comunicado divulgado neste sábado (17) pelo presidente do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), depois de uma reunião em Bangcoc, na Tailândia. O texto diz que o balanço de riscos para a economia segue pendendo para o lado ruim.

O IMFC é o principal comitê de orientação do Fundo, que reúne 191 países. Quem preside o grupo e assina a declaração é o ministro das Finanças saudita, Mohammed Al-Jadaan. Em entrevista à Reuters, ele disse que o texto foi aprovado por todos os membros.

Guerras, comércio e preços

O comunicado alerta que a escalada de conflitos e as tensões comerciais podem atrapalhar ainda mais rotas de comércio essenciais, aumentar a pressão sobre os preços de commodities, inclusive de derivados de energia, e piorar a segurança energética e alimentar. Segundo o texto, o quadro atual já traz dilemas difíceis para quem formula políticas públicas: mudanças tecnológicas rápidas, transformações demográficas, eventos climáticos extremos e desastres naturais cada vez mais frequentes e a fragmentação geoeconômica pesam sobre as decisões dos governos.

Outro ponto é o aumento dos rendimentos dos títulos públicos nas principais economias, que se espalha para países muito endividados. Para o comitê, essa alta, somada ao efeito ainda incerto das novas tecnologias, pode ampliar vulnerabilidades macrofinanceiras.

A disputa por um nome

O comunicado cita os investimentos e o comércio que ganharam impulso com as “tecnologias de inteligência avançada”, mas lembra que elas também trazem riscos. A expressão chamou atenção por causa de uma pressão feita nos bastidores: no início desta semana, os Estados Unidos queriam que os demais membros trocassem o termo “inteligência artificial” por “superinteligência” no texto, em linha com o nome que o presidente Donald Trump prefere usar para a tecnologia, segundo um alto funcionário do Tesouro americano ouvido pela Reuters.

A versão final da declaração não traz nenhuma referência a “inteligência artificial”. O assunto já havia sido tratado pelo Fato em Dia em matéria sobre a proposta de Trump de mudar o nome da tecnologia.

Quem deve receber ajuda

Os países-membros concordaram em apoiar economias que fazem reformas e enfrentam vulnerabilidades ligadas à dívida, com olhar especial para nações pobres, para as de renda média mais frágeis e para os Estados atingidos por conflitos. “Incentivamos o aumento do apoio a países com dívida sustentável e uma agenda sólida de reformas e promoção do crescimento, mas que enfrentam desafios de financiamento de curto prazo”, diz o comunicado. O texto registra ainda que vários membros garantiram recursos para o Fundo de Redução da Pobreza e Crescimento, mecanismo do FMI voltado a países pobres e em desenvolvimento.

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