Fim da 6x1 vai encarecer a carne para o consumidor, diz presidente da Abiec
Roberto Perosa afirma que a indústria terá de repassar o custo extra, mas não estimou o impacto; reforma tributária preocupa mais.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o fim da escala 6x1 vai aumentar os custos dos frigoríficos e que essa conta acabará chegando ao preço pago pelo consumidor. A declaração foi dada a jornalistas nesta semana durante a Sial, o Salão Internacional da Alimentação, em Paris.
“Fim da escala 6 por 1 é aumento de custo na veia. O primeiro ponto é esse. Isso, é claro que a indústria vai ter que acabar repassando isso”, disse Perosa.
Por que o custo sobe, segundo o setor
Na explicação do dirigente, a indústria de alimentos não para, e por isso a redução dos dias trabalhados obriga as empresas a colocar outros funcionários no lugar de quem estiver de folga. “Se você quer trabalhar menos, ter maior período de descanso, alguém vai ter que trabalhar no seu lugar, porque a gente vai continuar produzindo comida”, afirmou.
Perosa reconheceu que a mudança na jornada foi uma decisão da sociedade e dos políticos, cobrados pela população, mas insistiu que a adaptação vai pesar nos custos de produção. Ele não apresentou nenhuma estimativa de quanto as despesas devem crescer, nem de quanto o preço da carne pode subir nas prateleiras.
Reforma tributária preocupa mais
Para o presidente da Abiec, a nova jornada não é o maior problema do setor neste momento. “Para além da 6 por 1, nós temos uma reforma tributária que tem um impacto muito maior no setor. É um impacto gigantesco”, disse.
Entre os pontos que, segundo ele, precisam ser analisados estão o PIS, a Cofins e o crédito presumido desses tributos, mecanismo que reduz o imposto pago pela indústria. Perosa afirmou que as empresas ainda precisam medir como as mudanças vão afetar custos e operação, e que a entidade quer ampliar a conversa sobre o tema no fim do ano, depois do período eleitoral.
Como fica a nova jornada
O Congresso promulgou a emenda que acaba com a escala 6x1 na sexta-feira (16). A mudança será feita em duas etapas, sem redução de salário. Sessenta dias após a promulgação, o trabalhador passa a ter dois dias de descanso remunerado por semana e o limite da jornada cai de 44 para 42 horas. Catorze meses depois da promulgação, a carga máxima cai para 40 horas semanais, consolidando a escala 5x2. Veja quando cada fase passa a valer.
Desde a aprovação, entidades empresariais têm alertado para o aumento de custos, enquanto centrais sindicais comemoram a mudança, como mostraram as reações de CNI e CUT. O governo federal, por sua vez, estuda linhas de crédito para ajudar as empresas a se adaptarem à nova jornada.
Receba as notícias do Fato em Dia. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.
Direitos de imagem: se você é autor de uma imagem ou vídeo desta notícia, fale com a gente.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.







