Dados do Smart Sampa ficam expostos na internet, e Prefeitura de SP afasta agente
Brecha permitia ver imagens de mais de 58 mil câmeras da capital; gestão Nunes nega falha no sistema e culpa um servidor da GCM.

Informações sigilosas do Smart Sampa, o sistema de câmeras e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, ficaram disponíveis na internet por cerca de 11 meses e abriam caminho para o acesso indevido às imagens de mais de 58 mil câmeras ligadas à plataforma. Há aparelhos espalhados por vias públicas, unidades de saúde, escolas e creches da cidade.
A exposição foi revelada nesta terça-feira (20) em reportagem do UOL, segundo a qual os dados estavam num repositório público e incluíam 181 logins e senhas de usuários autorizados do sistema. A prefeitura confirmou o vazamento, mas nega que tenha havido falha de segurança no programa e atribui o caso a um agente com acesso legítimo à ferramenta.
O que diz a prefeitura
“O que houve foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor entre os mais de 7.500 agentes de segurança. Ele já foi identificado, afastado e sua conduta está sendo investigada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana”, afirmou a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que classificou o episódio como “ato criminoso”.
A administração municipal diz que o repositório já foi tirado do ar e nega que o material tivesse as senhas de acesso ao sistema. Segundo a secretaria municipal responsável pela segurança, o acesso agora depende de senha individual, de verificação em duas etapas e, para trocar a senha, de um código recebido por SMS.
A gestão ainda garante que não houve uso indevido do Smart Sampa e lembra que o programa é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), conta com consultoria em governança e privacidade de dados e envia relatórios de transparência ao Ministério Público a cada seis meses. O contrato, de acordo com a gestão, prevê auditorias, testes de segurança e correção de vulnerabilidades.
Como funciona o sistema
Vitrine da gestão Nunes na área de segurança, o Smart Sampa estreou em 2024. A central não para em nenhum horário e reúne as imagens de câmeras da prefeitura e de particulares que aderiram ao programa. O custo é de cerca de R$ 10 milhões por mês.
O sistema compara automaticamente os rostos captados pelas câmeras com bancos oficiais de foragidos da Justiça e de pessoas desaparecidas, e também identifica carros roubados, furtados ou com placa clonada. Pelo balanço mais recente da prefeitura, o sistema ajudou na captura de 3.628 foragidos e na localização de 284 desaparecidos.
Críticas ao programa
Pesquisadores já questionaram os resultados do programa. No estudo “Smart Sampa vigia, mas não protege”, o CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) comparou a capital com cidades paulistas sem o sistema, de março de 2024 a abril de 2025, e não achou queda estatisticamente relevante de furtos, roubos e homicídios.
O mesmo levantamento relembra erros de reconhecimento facial em 2025, como um PM de farda apontado como foragido e um voluntário que cuidava do jardim de uma UBS e acabou detido sem motivo. Para os autores, o problema vem de algoritmos que falham com mais frequência ao analisar rostos de pessoas negras e de cadastros velhos, com ordens de prisão que já não valiam.
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