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Polícia do RS investiga desvio de 2,3 mil bois de produtor de 91 anos

Operação Apropriare mira ex-gerente de fazendas; prejuízo pode passar de R$ 11 milhões, e 400 animais foram apreendidos.

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Dois bois brancos pastam num campo verde, com mata ao fundo e céu alaranjado ao entardecer
Bois pastam em campo aberto — Imagem ilustrativaFoto: RonaldPlett/Pixabay

Resumo

  • Polícia Civil do RS apura desvio de 2.388 bois de produtor de 91 anos; prejuízo pode passar de R$ 11 milhões.
  • O principal suspeito é o ex-gerente; seis são investigados e 400 animais foram apreendidos na quarta (21).
  • A polícia ainda tenta descobrir o destino dos bois e outros bens ligados ao caso.

Quase metade do rebanho de um pecuarista gaúcho de 91 anos desapareceu das fazendas dele, e a Polícia Civil do Rio Grande do Sul foi atrás dos responsáveis. Segundo a investigação, foram desviados 2.388 bovinos, o que pode representar mais de R$ 11 milhões pelo preço médio de mercado. Na quarta-feira (21), a Operação Apropriare foi às ruas para cumprir ordens da Justiça e recolheu 400 animais. O alvo principal é um ex-gerente das propriedades.

A conta que não fechava

Tudo começou quando o próprio dono do gado foi à polícia. Nos registros dele na Secretaria da Agricultura, constavam 4.793 bovinos. Quando se fez a contagem nas propriedades, apareceram só 2.405. Da diferença saem os 2.388 animais que os investigadores consideram desviados.

O ex-gerente tocou as fazendas da vítima de 2016 a 2025 e foi mandado embora quando o desfalque veio à tona. A polícia não revelou o nome dele. Seis pessoas ao todo estão sob investigação, e cada uma responderá na medida do que tiver feito.

Mandados em duas cidades

Os agentes cumpriram cinco mandados de busca, quatro em Santiago e o outro em São Vicente do Sul. Além dos 400 bois, foi levada uma picape Hilux. Por decisão judicial, um imóvel rural foi sequestrado, e as contas bancárias e os criptoativos dos investigados foram bloqueados.

O caminho do gado, segundo a polícia

Para reconstituir o que aconteceu, a equipe cruzou Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais e dados de bancos, todos obtidos com aval da Justiça. O cruzamento sugere que reses registradas em nome do idoso passaram para o cadastro de produtor de um parente do principal suspeito, sem que o dinheiro correspondente tenha entrado na conta do dono. De acordo com a apuração, esse cadastro estava montado dentro da própria fazenda da vítima.

Há mais indícios. Bezerros recém-nascidos aparecem lançados nos cadastros dos investigados justamente nos dias em que os animais eram levados para outra propriedade. E existem notas de venda de gado que não deixam rastro de pagamento entre quem vendeu e quem comprou.

Dois bens sob a lupa

Os investigadores também examinam duas aquisições: uma caminhonete, comprada em janeiro de 2026, e uma área rural em Santiago, adquirida em julho. No terreno, a escritura traz R$ 50 mil como preço, mas os extratos mostram que R$ 179 mil foram repassados ao vendedor. A divergência levou a polícia a apurar também falsidade ideológica.

O que pode acontecer

Dependendo do papel de cada um, os seis investigados podem ser enquadrados em apropriação indébita, em lavagem de dinheiro e em falsidade ideológica. A polícia diz que o trabalho prossegue para descobrir para onde foram os animais que sumiram e para localizar outros bens ligados ao caso.

A Polícia Civil não divulgou o nome dos investigados, e a defesa deles não foi localizada.

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