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Médicos dão notas mais baixas às UTIs do SUS e pedem mais que novos leitos

Inquérito da Amib ouviu 2.338 intensivistas; só 22,7% veem oferta totalmente adequada de remédios na rede pública, ante 57,7% na privada.

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Leito de UTI com cama hospitalar, monitor, bombas de infusão e réguas de gases na parede
Leito de unidade de terapia intensiva, com monitor e bombas de infusãoFoto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Resumo

  • Pesquisa da Amib ouviu 2.338 médicos de UTI e mostra distância entre a avaliação da rede pública e a da privada
  • Só 22,7% veem oferta totalmente adequada de medicamentos no SUS; na rede privada, o índice é de 57,7%
  • Associação quer levar o diagnóstico a gestores e defende estruturar as UTIs, não só abrir leitos

Uma avaliação das unidades de terapia intensiva (UTIs) do país feita por quem trabalha nelas mostra uma diferença clara entre o que os médicos enxergam na rede pública e na privada. Na maioria dos itens, as notas positivas são duas vezes maiores nas unidades particulares ou de planos de saúde do que nas do Sistema Único de Saúde (SUS). As notas ruins, por sua vez, aparecem até quatro vezes mais nas unidades públicas.

Os números saem de um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), feito com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM). Participaram 2.338 intensivistas, que atribuíram de 0 a 5 pontos a itens básicos do funcionamento das unidades: estrutura física, leitos, remédios, preparo da equipe, circulação dos pacientes e protocolos.

O que os números mostram

Na oferta de medicamentos essenciais, apenas 22,7% dos médicos consideram a rede de UTIs do SUS totalmente adequada. Quando o alvo são UTIs particulares ou ligadas a planos, o índice vai a 57,7%. No sentido contrário, 16,1% classificaram a disponibilidade de remédios na rede pública como inadequada ou totalmente inadequada, contra 3,8% no setor privado.

Em relação à suficiência de leitos, 24,1% deram nota máxima às UTIs públicas, e 51,4% fizeram o mesmo com as privadas. Entre as notas mais baixas (0, 1 e 2), 32,6% avaliaram mal a disponibilidade de leitos no SUS, e 7,7% o fizeram na rede privada.

Os protocolos de atendimento e de conduta clínica seguem o mesmo desenho: nota máxima de 23,1% dos médicos para o SUS e de 40,2% para o setor privado; notas mínimas de 27,4% para a rede pública e de 14,3% para a particular. A equipe multiprofissional especializada recebeu nota máxima de 39,2% dos entrevistados no setor privado e de 23% no público.

Quanto aos enfermeiros especializados em terapia intensiva, 25,1% deram nota máxima no setor privado e 16,9% no público; as notas baixas somaram 37,2% no SUS e 26,4% nos serviços particulares ou de planos.

A exceção

A diferença apareceu em 12 dos 13 quesitos. Só a carga de tarefas administrativas e burocráticas foi vista de modo parecido nas redes pública e privada.

O que a Amib defende

Em nota, a Amib disse que o conjunto das respostas mostra os gargalos sob o ponto de vista de quem cuida de doentes graves. Para a entidade, o resultado pede políticas de saúde que tratem a organização das UTIs como prioridade em várias frentes, e não só a abertura de vagas.

A associação quer apresentar o diagnóstico a gestores de hospitais públicos e privados e a órgãos de fiscalização, para cobrar que as recomendações do inquérito sejam seguidas. “Eventuais mudanças terão impacto em 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo país, sendo 34.927 destinados a adultos e 8.974 à pediatria e neonatologia”, destacou a entidade.

Por que isso importa para o paciente

Os números são a percepção dos profissionais, não uma medição direta da qualidade de cada hospital. Mesmo assim, apontam onde o médico sente falta de estrutura no dia a dia: remédios, protocolos, equipes treinadas e leitos. É dessas condições que depende o atendimento de quem chega em estado grave, seja por infarto, infecção ou acidente.

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