Nasa diz que programa espacial da China 'estava na infância' e promete pouso na Lua em 2028
Administrador Jared Isaacman detalhou prazos da Artemis III e comparou o histórico de voos tripulados dos EUA e da China.

Resumo
- O administrador da Nasa, Jared Isaacman, disse que o programa espacial chinês 'estava na infância'.
- Em coletiva sobre a Artemis III, a agência manteve a previsão de pouso de astronautas na Lua em 2028.
- A tripulação da Artemis III é formada por Randy Bresnik, Luca Parmitano, Andre Douglas e Frank Rubio.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, afirmou nesta sexta-feira (23) que o programa espacial da China “estava na infância” quando o país mandou seu primeiro astronauta ao espaço. A declaração veio numa coletiva sobre a Artemis III, em que a agência norte-americana reafirmou a meta de levar pessoas de volta à superfície da Lua em 2028.
Ao detalhar prazos e parcerias para o voo tripulado, Isaacman comparou as duas trajetórias. Disse que a China só conseguiu o primeiro voo orbital tripulado em 2003, feito que o americano John Glenn já tinha cumprido nos anos 1960.
A comparação feita por Isaacman
“A China viveu seu ‘momento John Glenn’, seu primeiro voo espacial orbital tripulado, há apenas 23 anos. Naquela altura, a Nasa não só já havia vencido a primeira corrida espacial, como também tinha levado astronautas à Lua seis vezes. Além disso, já havíamos realizado 113 missões com ônibus espaciais antes mesmo de a China enviar seu primeiro astronauta ao espaço”, afirmou o administrador.
Ele reconheceu o avanço recente chinês: desde então, o programa do país, que nas palavras dele antes estava na “infância”, lançou centenas de satélites de comunicação, de observação da Terra e militares.
Os feitos chineses que ele não negou
Nos últimos cinco anos, a China colocou em órbita a Tiangong, estação espacial que rivaliza com a velha Estação Espacial Internacional, liderada pelos Estados Unidos. Os chineses ainda recolheram material do solo do hemisfério lunar que nunca fica voltado para a Terra, algo que nenhum outro país conseguiu repetir.
O pano de fundo é uma disputa geopolítica. A China planeja erguer um assentamento permanente na Lua até 2040, o que provocou reação urgente de parlamentares no Capitólio, que falam em nova corrida espacial. A Nasa, por sua vez, promete construir um posto avançado lunar americano. Como boa parte do desenvolvimento aeroespacial chinês é cercada de sigilo, é difícil dizer com certeza quem está na frente.
O que a Artemis III vai fazer
A Artemis III não é a missão do pouso em si. Segundo a Nasa, ela deve testar o encontro e a acoplagem com módulos de pouso comerciais em órbita baixa da Terra, etapa tida como fundamental para as futuras operações lunares do programa. Em outubro, a agência divulgou a fase final da montagem do foguete: terminou o empilhamento dos propulsores e foram instalados os motores principais do SLS, o Sistema de Lançamento Espacial.
Nos próximos meses, o foguete segue para a base de lançamento, onde passará por ensaios de abastecimento e ensaios gerais do dia da decolagem. Os painéis solares da nave Orion, que fornecem eletricidade, ar e água à tripulação, foram inspecionados, e a plataforma de lançamento passa por reparos para o próximo voo.
Quem vai voar
A tripulação é composta por Randy Bresnik, comandante; Luca Parmitano, astronauta italiano, piloto; e os especialistas Andre Douglas e Frank Rubio, coronel. Bob Heinz foi anunciado como integrante da tripulação reserva. Os quatro titulares participam de simulações de evacuação de emergência, de procedimentos com trajes espaciais e de resgate no mar com helicópteros.
De onde a Nasa parte
A Artemis II, realizada em abril de 2026, durou cerca de dez dias e fez astronautas voltarem a circular perto da Lua após mais de cinco décadas. Ao contrário das missões Apollo, ela não buscava um pouso: o foco era verificar, com gente a bordo, os sistemas principais da Orion. A cápsula e o SLS foram concebidos para viajar pelo espaço profundo, sem condições de descer no solo lunar, e a viagem não incluiu módulo de pouso, informou a Nasa.
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