China cobra dos EUA o fim do veto à DeepSeek nas agências federais
Ministério do Comércio chinês diz que a ordem prejudica empresas do país e também reage a sanções a cinco entidades por roubo de segredos de IA.

Resumo
- O Ministério do Comércio da China pediu que os EUA revoguem a ordem que tira a DeepSeek das agências federais.
- Pequim diz que tomará 'todas as medidas necessárias' para defender suas empresas.
- A China também criticou sanções americanas a cinco entidades acusadas de roubar segredos de IA.
O governo da China reagiu nesta terça-feira (20) à decisão dos Estados Unidos de banir a DeepSeek, o modelo chinês de inteligência artificial, dos computadores e sistemas das agências federais americanas. Em nota, o Ministério do Comércio chinês afirmou que a medida fere os interesses das empresas do país e ignora os entendimentos fechados entre os presidentes das duas potências.
Pequim pediu que Washington volte atrás. O ministério cobrou que os americanos passem a “corrigir imediatamente as práticas incorretas” e revoguem “as medidas restritivas discriminatórias relevantes”. O texto diz ainda que o governo chinês vai acompanhar o caso de perto e que “tomará todas as medidas necessárias” para proteger suas companhias. Segundo a nota, a China está “profundamente insatisfeita” e “se opõe firmemente” à decisão.
O que os EUA decidiram
A ordem partiu do Departamento de Segurança Interna (DHS) na segunda-feira (19). Ela manda remover produtos da DeepSeek, e serviços de terceiros construídos sobre o modelo, dos sistemas de tecnologia de todas as agências federais civis. As agências também ficam proibidas de comprar qualquer solução desse tipo daqui para a frente.
Para justificar o veto, o DHS disse que os modelos da DeepSeek trazem “múltiplos vetores de ameaça”. A principal preocupação apontada é a de que dados sigilosos acabem enviados à China caso servidores do governo ou empresas contratadas usem a ferramenta.
Pedido de diálogo
Na mesma nota, Pequim afirmou esperar que os EUA cumpram o consenso a que chegaram os dois líderes e trabalhem com a China “na mesma direção”. O ministério defendeu o uso do canal de diálogo entre os dois países criado especificamente para tratar de inteligência artificial.
“Corrigir imediatamente as práticas incorretas... e revogar as medidas restritivas discriminatórias relevantes.”
Sanções por roubo de segredos
Em outro comunicado divulgado no mesmo dia, o Ministério do Comércio manifestou “firme oposição” a sanções impostas pelos Estados Unidos a cinco entidades chinesas. O Departamento de Estado americano as acusa de envolvimento em roubo de segredos comerciais ligados à inteligência artificial.
Entre as punidas está a Shanghai Zhisuan Technology, empresa de IA fundada por Linwei Ding, ex-engenheiro de software do Google. Também entraram na lista uma gestora de capital de risco que investiu na Zhisuan e outras três entidades relacionadas a ela.
Ding foi considerado culpado em janeiro de ter roubado segredos de inteligência artificial do Google para favorecer duas empresas chinesas. Em agosto, parte da condenação foi anulada. O governo chinês acusou os americanos de “exagerar a questão do chamado ‘roubo de segredos comerciais’” e de difamar empresas do país.
O que vem agora
O veto do DHS segue valendo. A disputa se soma a outras restrições à DeepSeek já adotadas nos EUA, como as do Departamento de Comércio e da Marinha, e por estados como Nova York, Tennessee e Virgínia.
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