Pular para o conteúdo
Pesquisa Datafolha

Datafolha: 59% querem mandato para ministros do STF; 65%, fim de decisões solo

Pesquisa mostra apoio majoritário a mudanças no Supremo entre eleitores de Flávio Bolsonaro e de Lula; 52% querem reduzir o foro especial

WhatsApp Telegram Facebook X
Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, com a placa do tribunal e grades de proteção à frente
Foto: Fato em Dia

A proposta de reformar o Supremo Tribunal Federal tem apoio da maioria dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (16). Para 59% dos entrevistados, os ministros deveriam ter mandato; 65% querem o fim das decisões monocráticas, aquelas tomadas por um só ministro, em assuntos importantes; e 52% defendem que pessoas com foro especial sejam julgadas em instâncias inferiores.

Como foi a pesquisa

O Datafolha ouviu 2.520 eleitores em 153 cidades nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi contratado pela Folha e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o código BR-00466/2026, o mesmo da rodada que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 47% e Lula (PT) com 45% no segundo turno.

Eleitores de Flávio e de Lula pensam parecido

O dado que chama atenção é que as mudanças têm apoio nos dois campos. Só há diferença notável no tema do mandato dos ministros: 65% de quem apoia Flávio querem a mudança, contra 54% entre os eleitores de Lula. Hoje, um ministro do STF entra com pelo menos 35 anos de idade e só deixa a cadeira ao se aposentar, aos 75.

Sobre as decisões monocráticas, 64% dos eleitores de Flávio e 66% dos de Lula defendem que, nos casos importantes, elas sejam avaliadas pelo plenário. Já a ida de processos de autoridades com foro para instâncias inferiores é apoiada por 54% dos eleitores do senador e por 51% dos do presidente, números equivalentes dentro da margem de erro. Pela regra atual, cabe ao STF processar, entre outros, o presidente da República e seu vice, deputados federais e senadores, ministros de Estado, o procurador-geral da República, os chefes das Forças Armadas e os integrantes da própria corte.

O pano de fundo político

Criticar o Supremo é bandeira do bolsonarismo desde 2018, com Alexandre de Moraes como principal alvo. O assunto voltou ao centro da campanha com a crise aberta pelas relações de ministros, entre eles Moraes, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro; o julgamento sobre abrir ou não uma investigação contra Moraes está suspenso. Como o Senado é a Casa que julga pedidos de impeachment de ministros do STF, a eleição de muitos senadores bolsonaristas também pôs o tema em discussão.

O candidato do PL promete, se vencer, propor emendas constitucionais para mudar o funcionamento do tribunal. Lula, que neste mandato se aproximou da corte para enfrentar um Congresso pouco amigável, também passou a defender mudanças: em entrevista na quinta-feira (15), ele falou em reformar o Supremo e investigar ministros.

O que acontece agora

Qualquer alteração no mandato dos ministros ou no foro especial exigiria emenda à Constituição, o que passa pela Câmara e pelo Senado com votação em dois turnos em cada Casa. A pesquisa mostra que o tema tem terreno político fértil a nove dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, mas não indica qual desenho de reforma teria apoio dos parlamentares.

O Datafolha também divulgou nesta sexta que 96% dos eleitores pretendem votar no segundo turno, 1% diz que não vai às urnas e 3% ainda não decidiram. Entre os que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, 63% dizem que vão votar.

Pesquisa eleitoralSTFReforma do JudiciárioEleições 2026Flávio BolsonaroLulaReforma do STFTSESenado

Receba as notícias do Fato em Dia. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.

Direitos autorais: se você é autor de alguma imagem, fale com a gente; trocamos em até 24 h.

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Mais sobre o assunto

Últimas de Política

Ver tudo