Na Globo, Flávio diz que não vai reverter o fim da escala 6x1 se for eleito
Em entrevista à Globo, candidato do PL prometeu manter salário mínimo, Bolsa Família e fim da 6x1, cortar ministérios e ter um só mandato.

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, concluiu na noite desta sexta-feira (16) a entrevista à TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete ao vivo dos Estúdios Globo, no Rio, logo depois do Jornal Nacional. Em cerca de 40 minutos, em dois blocos, ele apresentou o que pretende fazer se vencer o segundo turno, no dia 25: manter o fim da escala 6x1, preservar o salário mínimo com ganho real, cortar ao menos dez ministérios e governar por um único mandato. A entrevista também foi exibida pela GloboNews e pelo g1, e a íntegra está no Globoplay.
Escala 6x1: “não vou reverter”
Perguntado se manteria o fim da escala 6x1, aprovado pelo Congresso nesta semana, Flávio foi direto: “Não vou, Renata. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”. Ele explicou que votou a favor depois de percorrer o país e ouvir os trabalhadores. “Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6 por 1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, disse.
O candidato acrescentou que a folga a mais precisa vir acompanhada de melhores condições de vida. Segundo ele, de nada adianta o descanso se o trabalhador continua exposto à violência no transporte e preocupado com dívidas. “Além de garantir a folga, vou fazer de tudo para garantir poder de compra e mais segurança”, afirmou.
Salário mínimo, aposentadorias, saúde e educação
Questionado sobre como faria o ajuste das contas públicas, Flávio assumiu compromissos que, segundo ele, desmentem o que circula sobre sua candidatura. Disse que vai manter o reajuste do salário mínimo vinculado à inflação, que não vai desvincular da inflação o reajuste das aposentadorias e que não vai eliminar os pisos de gastos com saúde e educação.
“Importante suas perguntas, porque têm circulado, de fato, muitas fake news, e esse é um importante momento para esclarecê-las”, disse. Ele atribuiu ao adversário, o presidente Lula, o que chamou de “terrorismo”: segundo Flávio, o petista diz que ele acabaria com aposentadorias e privatizaria Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.
Corte de ministérios e novas receitas
Sem mexer nesses pontos, o ajuste viria, segundo Flávio, do corte de “ao menos dez ministérios”, do combate à corrupção e à má gestão nas estatais e de novas receitas. Ele afirmou que os quase R$ 3 trilhões em dívidas que a União tem a receber podem ser securitizados, o que traria “mais de R$ 200 bilhões a mais de receita” por ano. Citou ainda os royalties do petróleo, a exploração da Margem Equatorial e o uso de inteligência artificial na gestão pública. Em uma das frases de maior destaque da noite, resumiu a ideia: “O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula”.
Um mandato só, sem reeleição
Sobre a reeleição, Flávio reafirmou que quer ser “presidente de um mandato só”. Perguntado se abriria mão de disputar um novo mandato caso o Congresso não aprove o fim da reeleição, respondeu que sim: “Eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade”. Ele disse que cabe ao processo legislativo definir o tamanho do mandato e que o fim da reeleição deveria valer também para governadores. Afirmou ainda que não apoiaria mudança nas regras para permitir a entrada de parentes na disputa: “É como está hoje na regra: vale que o parente até terceiro grau seja considerado uma reeleição”.
Segurança pública e Estatuto do Desarmamento
Na área de segurança, o candidato classificou como “tese maluca” a ideia de que mais armas nas mãos de cidadãos aumentam a violência e disse ser necessário discutir mudanças no Estatuto do Desarmamento. Segundo o acompanhamento de veículos que transmitiram a entrevista, ele também afirmou que pretende usar as Forças Armadas no combate às facções criminosas.
Programas sociais e respeito ao resultado das urnas
Flávio disse que vai manter o Bolsa Família e, perguntado se respeitará o resultado da eleição, afirmou que sim, conforme relataram os portais que acompanharam a entrevista.
Judiciário: “proteger a instituição”
Ao falar de uma reforma do Judiciário, Flávio disse que ela deve recuperar a credibilidade do Poder. “Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes, o dono da caneta, interferir em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, declarou. Ele defendeu o impeachment de Moraes por “atuação político-partidária” e, sobre a suspeita levantada contra o ministro Kassio Nunes Marques, disse que “todo mundo tem que estar abaixo da lei”.
Eduardo Bolsonaro fora do Itamaraty
Sobre a composição de um eventual governo, Flávio afirmou que o irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que vive nos Estados Unidos, não será seu chanceler: “Não, ele não vai ser meu chanceler”. Ao falar do pai, Jair Bolsonaro, disse que ele nunca tratou de cargo e que se considera “um privilegiado” por poder consultar um ex-presidente da República dentro de casa.
O cenário da disputa
O segundo turno é em 25 de outubro. A pesquisa Gerp divulgada nesta sexta mostra Flávio com 52% dos votos válidos e Lula com 48%, e a Futura traz o candidato do PL com 50,8% contra 49,2%. O primeiro debate do segundo turno será promovido pela Band no domingo (18), e o último, na TV Globo, está marcado para 23 de outubro, com mediação de César Tralli. Lula foi entrevistado pela Globo na quinta-feira (15).
Receba as notícias do Fato em Dia. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.
Direitos autorais: se você é autor de alguma imagem, fale com a gente; trocamos em até 24 h.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.






