Ambientalistas reagem a Flávio, que prometeu acabar com 'entraves ambientais'
Em Marabá (PA), o candidato do PL disse que produtor poderá fazer 'o que quiser' na terra; ISA, Greenpeace e Observatório do Clima reagem.

Resumo
- Flávio Bolsonaro prometeu, em Marabá (PA), acabar com 'entraves' ambientais para quem produz no campo.
- ISA, Greenpeace e Observatório do Clima dizem que proteção ambiental não é obstáculo.
- O segundo turno entre Flávio e Lula é no domingo, 25 de outubro.
Três organizações ambientais reagiram nesta terça-feira (20) a uma promessa de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro e candidato à Presidência. Num ato com apoiadores em Marabá, no sudeste do Pará, na segunda-feira (19), ele disse que, se eleito, vai acabar com os “entraves” ambientais que, na avaliação dele, atrapalham quem produz no campo.
A frase foi dita durante uma passagem do candidato pelo Pará e pelo Amazonas, dois estados onde a campanha tenta ganhar votos para o segundo turno, marcado para domingo (25), contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O que Flávio disse
No palanque, Flávio prometeu um grande programa de regularização de terras no Pará e associou o tema à defesa da propriedade privada. A fala completa foi esta:
“Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu e a sua terra vai ser sua pessoa no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra, e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem, ambientais, e principalmente por causa de razões ideológicas, a gente vai acabar.”
A resposta das entidades
O Instituto Socioambiental (ISA) afirmou que o candidato repete “o discurso mais atrasado” sobre a Amazônia, por tratar a floresta como área a ser aberta para ampliar a produção agropecuária. Em nota, a entidade disse que a proposta “desconsidera tudo que a ciência e a experiência dos povos e comunidades tradicionais já comprovaram” e que o valor da região “está na floresta em pé”. Para o ISA, adotar esse modelo seria “voltar à década de 1970, conhecida como a década da destruição”.
Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, rejeitou a ideia de que preservação seja tema ideológico. Ela lembrou que o país registrou recentemente a menor taxa de desmatamento na Amazônia desde 1988, quando começou a série histórica, e disse que os resultados obtidos desde 2023 “estão ameaçados pela eleição de um negacionista que vê o meio ambiente como ideologia”. Segundo ela, o que o candidato chama de entrave é, na prática, a garantia do direito a um meio ambiente equilibrado e a proteção contra danos irreversíveis ao clima e à biodiversidade.
“Proteções ambientais não são 'entraves'.”
A lembrança da “boiada”
Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, ligou a declaração ao governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), pai do candidato. Ele citou o episódio em que o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu numa reunião ministerial aproveitar a atenção da imprensa voltada para a pandemia de Covid-19 para “passar a boiada” e afrouxar normas ambientais.
“É o risco de voltarmos aos tempos do governo Bolsonaro, os mais sombrios da história para a agenda ambiental, onde a proteção ao meio ambiente era tratada como inimiga e o desmatamento era política de governo”, afirmou Astrini.
O que acontece agora
A reportagem não localizou manifestação da campanha de Flávio Bolsonaro sobre as críticas das entidades. O tema ambiental tende a voltar na reta final da disputa: os dois candidatos cumprem agenda em vários estados nesta semana, e o eleitor vai às urnas no domingo (25).
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