Doença de Newcastle em granja de SC põe exportações de frango em alerta
Foco em criação de perus de Nova Itaberaba preocupa o setor; governo diz que consumir continua seguro, e ações de frigoríficos caíram.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou um foco de doença de Newcastle em uma criação comercial de perus de corte no município catarinense de Nova Itaberaba. O caso foi confirmado no domingo (18) e divulgado nesta segunda-feira (19). A notícia mexeu com o mercado: o Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, e Santa Catarina é o segundo estado que mais vende o produto para fora.
O que o governo informou
A granja foi fechada pelo serviço veterinário do estado, e nenhuma ave pode ser movimentada. As ações para conter e eliminar o foco obedecem ao plano de contingência do governo para gripe aviária e Newcastle. O foco apareceu durante uma investigação epidemiológica do serviço estadual e teve confirmação em laboratório federal de São Paulo, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como referência mundial no diagnóstico.
O vírus que a provoca pertence ao grupo dos paramixovírus aviários e infecta tanto aves criadas em granjas quanto as de vida livre. Em humanos, ela é rara e, quando aparece, costuma causar só uma conjuntivite leve, segundo O Globo. O governo notificou a OMSA e os parceiros comerciais do país, como preveem os compromissos de transparência sanitária.
Consumo é seguro, diz o governo
O ministério foi direto sobre o ponto que mais preocupa o consumidor: “o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações”. Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o sindicato das indústrias de carne catarinenses (Sindicarne) afirmaram que se trata de “uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos”.
O risco para as exportações
Rafael Requião, que responde interinamente pela área de comércio internacional do ministério, afirmou não ter sido informado de nenhuma suspensão de compras por outros países. “Ainda não temos nada objetivo a informar”, afirmou.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, explicou à Reuters que um acordo assinado com a China prevê o “autoembargo”: quando ocorre um caso de Newcastle, o Brasil precisa suspender as próprias exportações de carne de aves para o país, e a China então define como fica o embargo, se limitado à região ou ao estado atingido. Poucos compradores têm essa regra, segundo ele; a maioria costuma restringir o bloqueio à área do foco, num raio de 10 quilômetros.
A diferença pesa. Nos nove primeiros meses do ano, o mercado chinês absorveu cerca de 420 mil toneladas, em torno de 10% do frango exportado pelo Brasil, segundo números do governo. Já o estado catarinense ficou com algo entre 20% e 23% dos embarques do produto, conforme Reuters e O Globo. Um embargo restrito ao local do foco, afirmou Santin, atenuaria as perdas. Ele disse que ainda é difícil estimar o prejuízo.
Reação do mercado
Na bolsa, as empresas do setor sentiram o impacto: os papéis da JBS perderam até 2% na bolsa de Nova York, e os da MBRF, até 6%. O histórico ajuda a entender a cautela. Em 2024, após uma ocorrência gaúcha da doença, China e União Europeia interromperam por um tempo as compras brasileiras.
O que vem agora
Nos próximos dias, o ponto central é saber se algum país decretará embargo e de que tamanho. Enquanto isso, o serviço veterinário segue as ações de contenção na granja de Nova Itaberaba. Para o consumidor, a orientação oficial não muda: carne de frango e de peru com selo de inspeção continua liberada para o consumo.
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