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Emissões brutas do Brasil caem 6% em 2025 e voltam ao menor nível desde 2018

Levantamento do Observatório do Clima mostra que a queda do desmatamento puxou o resultado; metas futuras dependem de outros setores.

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Coluna de fumaça de uma queimada se ergue sobre a mata em vista aérea, com pasto à esquerda e céu parcialmente nublado
Foto de arquivo: Coluna de fumaça de queimada em área de floresta, vista do altoFoto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Resumo

  • O Brasil emitiu 2,06 bilhões de toneladas brutas de CO2 equivalente em 2025, 6% a menos que em 2024
  • Descontada a remoção de carbono, a emissão líquida foi de 1,41 bilhão de toneladas, a menor desde 2012
  • O país ficou a 85 milhões de toneladas da meta climática de 2025; agropecuária e energia quase não recuaram

O Brasil emitiu menos gases de efeito estufa em 2025, e a queda do desmatamento foi o principal motivo. Os números constam da 14ª edição do Seeg, o sistema que estima as emissões brasileiras de gases de efeito estufa, divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Observatório do Clima. Pela conta bruta, foram 2,06 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e) jogadas no ar, 6% a menos que as 2,19 bilhões de 2024. É o menor volume bruto desde 2018.

Emissão líquida é a menor desde 2012

Se for abatido o carbono absorvido pela vegetação secundária, que avançou, e pelas áreas protegidas, o saldo líquido do país foi de 1,41 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. Isso representa uma redução de 9% sobre as 1,489 bilhão de toneladas líquidas de 2024 e o menor valor desde 2012.

Para David Tsai, que coordena o Seeg e pesquisa no Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), avalia que os dados mostram um corte de um quarto nas emissões brutas ao longo dos últimos quatro anos. “É um feito digno de nota, dado que nos 13 anos anteriores, desde que publicou sua Política Nacional do Clima em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”, afirmou.

Desmatamento puxa o resultado

O setor de mudança de uso da terra, que no Seeg engloba o desmatamento, respondeu por 814 milhões de toneladas brutas em 2025, 15% menos que as 957 milhões de 2024. Nos valores líquidos, a queda foi de 48%: de 311 milhões para 162 milhões de toneladas, o menor número de toda a série histórica do sistema.

Os outros setores quase não mexeram

Fora o desmatamento, o quadro mudou pouco:

  • Agropecuária: queda de 0,1%, com 626 milhões de toneladas;
  • Energia: alta de 1,2%, de 422 milhões para 427 milhões de toneladas;
  • Processos industriais e uso de produtos: alta de 0,2%, estável em 94 milhões de toneladas;
  • Resíduos: maior alta do ano, de 3,6%, de 92 milhões para 96 milhões de toneladas.

Em 2025, a mudança de uso da terra respondeu por 39% das emissões brutas do país, e a agropecuária, por mais 30% nas emissões diretas. Somadas as emissões diretas e as indiretas do setor, a agropecuária continua sendo a maior emissora nacional. A energia vem em seguida, com 21%, enquanto a indústria e o lixo respondem por 5% cada.

Perto da meta de 2025

Com a redução, o país faltaram 85 milhões de toneladas para bater a meta da primeira Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), apresentada em 2015, que limitava as emissões líquidas de 2025 a 1,32 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. Segundo o Observatório do Clima, esse valor deve ser alcançado em 2026, depois da queda recorde do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. “Infelizmente a gente ficou ainda um pouco acima, mas bem próximo da meta”, disse Tsai.

Dados preliminares do próprio observatório indicam, para este ano, uma emissão líquida negativa por desmatamento, calculada em 24 milhões de toneladas negativas de CO2 equivalente. Para 2030, a segunda NDC brasileira, apresentada em 2025, fixa uma faixa de 850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas.

O alerta

Tsai chamou a queda das emissões por desmatamento de “uma grande vitória”, mas fez um alerta: se os demais setores não começarem a reduzir suas emissões a partir de agora, será difícil cumprir as próximas metas da NDC.

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