Desmatamento na Amazônia cai a 3.335 km², o menor nível desde 1988, aponta o Inpe
Cerrado também bate mínima histórica, com 5.516 km²; números do Prodes foram apresentados pelo governo no Palácio do Planalto

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado chegou ao menor nível de suas séries históricas no período de agosto de 2025 a julho de 2026. Os números são do Prodes, o sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que calcula a taxa oficial de derrubada de vegetação nativa no país, e foram apresentados nesta sexta-feira (16) em evento do governo federal no Palácio do Planalto, em Brasília.
Amazônia: 3.335 km² e queda de 41,8%
Na Amazônia, foram 3.335 quilômetros quadrados de floresta derrubados no ciclo, o menor valor desde que o monitoramento começou, em 1988. O resultado é 41,8% inferior ao do ciclo anterior, que havia fechado em 5.731 km². Em comparação com quatro anos atrás, a redução é de 71,2%: em 2022, a área desmatada tinha chegado a 11.594 km², e desde então a curva só desceu.
O Pará continuou sendo o estado que mais perdeu floresta, com 1.130 km², o equivalente a 33,9% do total do bioma. Mesmo assim, o estado teve queda de 45,3% em relação ao período anterior. Roraima foi a única exceção: registrou alta de 0,4%, a única do bioma no ciclo.
Cerrado: 5.516 km², menor marca desde 2001
No Cerrado, a vegetação nativa suprimida somou 5.516,69 km², o menor patamar da série, iniciada em 2001. A queda foi de 23,8% sobre os 7.235,27 km² do ciclo anterior. Em relação a 2023, quando a perda chegou a 11.012 km², a área desmatada é menos da metade, com redução de 48,4%.
A diferença de ritmo entre os dois biomas tem explicação na lei. O Código Florestal permite que o proprietário desmate uma parcela da propriedade, desde que o órgão ambiental estadual autorize. Na Amazônia essa parcela é pequena; no Cerrado, é bem maior. Por isso, boa parte da perda no bioma ocorre dentro do limite legal, em propriedades regularizadas, e esse tipo de desmatamento não é atingido por multas e embargos, que miram a derrubada ilegal. Para reduzir mais o ritmo ali, segundo especialistas, serão necessários incentivos econômicos para que o produtor mantenha a vegetação e regras mais rígidas para as autorizações dadas pelos estados.
O que explica a queda
A redução acompanha o endurecimento da fiscalização nos últimos anos. Um dos marcos foi a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), criado em 2004 e que reúne ações de vários ministérios. Entre os instrumentos está o embargo remoto: a área derrubada sem autorização é identificada por imagem de satélite e bloqueada sem a necessidade de uma operação em campo. Com o embargo, o dono fica impedido de usar a área e de vender o que for produzido nela.
Somam-se a isso a atuação dos estados, o aumento das autuações do Ibama e a maior atenção dos bancos aos dados de desmatamento na hora de conceder crédito rural, o que torna mais difícil financiar propriedades com irregularidade ambiental.
André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente, disse que o governo tem hoje planos para enfrentar o problema em todos os biomas e que o Ibama está sendo fortalecido, com mais pessoal e recursos para fiscalizar com tecnologia e inteligência.
Reações de especialistas
Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, afirmou que os números mostram ser possível ampliar a produção econômica sem aumentar a destruição da vegetação nativa. Segundo ele, a ideia de que o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento “cai por terra” com os resultados.
Claudio Almeida, coordenador do programa BiomasBR, do Inpe, lembrou que todo o planejamento das ações de controle parte do monitoramento feito pelo programa, que depois serve para avaliar as políticas aplicadas. A pesquisadora e climatologista Luciana Gatti, também do Inpe, atribuiu os resultados a “vontade política” e a um esforço conjunto para proteger a floresta.
Prodes e Deter: qual a diferença
O Prodes mede, por análise detalhada de imagens de satélite, a área efetivamente desmatada a cada ciclo anual, de agosto a julho, e gera a taxa oficial do país. Já o Deter, também do Inpe, é uma ferramenta de alerta rápido, usada para orientar a fiscalização ao longo do ano e que não substitui o número oficial.
O que vem a seguir
Com a Amazônia no menor nível já medido, o desafio apontado por especialistas é consolidar a trajetória e estender a queda ao Cerrado, onde o ritmo é mais lento por causa do desmatamento permitido em lei. O Prodes segue como a referência oficial para acompanhar se as políticas de controle estão funcionando, e os dados do próximo ciclo, de agosto de 2026 a julho de 2027, mostrarão se o resultado desta sexta-feira se sustenta.
Receba as notícias do Fato em Dia. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.
Direitos autorais: se você é autor de alguma imagem, fale com a gente; trocamos em até 24 h.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.



